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sábado, 11 de julho de 2009

A máquina


Há umas três semanas fui a uma festa anos 70. Em um post anterior contei sobre a saga de achar fantasias.Enfim, foi muito legal, me diverti bastante. Mas hoje vou contar o que se passou a seguir.

Levei a máquina fotográfica, há muito esquecida. As fotos ficaram bem legais, as caracterizações estavam ótimas, e consegui lindas poses das crianças.

No dia seguinte pela manhã meu marido perguntou pela câmera.

- Está na parte de trás do carrinho da K., na bolsinha.

- Não está não, já olhei!

E de fato não estava... Depois de procurar por todo o carrinho, em casa e na mala do carro concluímos que ela devia ter caído da bolsinha na véspera. Puxa, as fotos estavam tão boas...

Resolvi ligar para a casa de festas, alguém poderia ter achado.

- Agora não tem ninguém da gerência, liga mais tarde.

Mocinha antipática... Liguei novamente no horário recomendado, outra moça de má vontade.

- Está começando uma festa agora, não posso falar.

- Tudo bem. Não estou interessada em fazer festa, também não há interesse em me atender direito...

Desanimei mas fiz promessa pra São Longuinho, just in case. Lá pela hora do almoço a segunda moça antipática me liga:

- Olha, acharam sua máquina, mas vem logo buscar que só vão devolver pro dono!

Que sorte! Liguei correndo pro meu marido ir buscar. Fiquei pensando que aquela coisa de devolver pro dono deveria ser brincadeira, será que teriam visto as fotos e gostado de algum dos "hippies"?

Pouco depois a menina liga de novo:

- Olha, seu marido vai demorar? A máquina foi achada na rua, a pessoa que encontrou está querendo ir embora.

Ah, tá... Deve ter caído na hora que o carrinho foi colocado na mala. Liguei pro meu marido e pedi para ele correr e dar R$50,00 para o rapaz que achou, entendi que era algum mendigo. E de fato já havia prometido dar essa quantia a alguém que precisasse caso a câmera aparecesse.

Mais algns minutos, nova chamada:

- Aqui é o perna-de-pau da casa de festas, é que o rapaz foi embora com sua máquina...

História mais sui generis. Nesse momento minha vontade foi de chorar, encontrei e perdi a danada em menos de meia hora. E na verdade o que aconteceu foi o seguinte: o tal perna-de-pau (e miolo-mole, como ficará provado a seguir) viu a máquina embaixo de um carro do outro lado da rua, mas do alto de suas pernas de pau (dá até vontade de rir...) não teve outra alternativa senão pedir a um rapaz que estacionava que a pegasse para ele. Assim foi feito, ele pegou a dita cuja, a levou para a gerente, todos viram minhas fotos, e tudo caminhava para um desfecho favorável. Só que o tal do "apanhador" continuou lá na porta perturbando o pernadepaumiolomole, que se viu compelido a voltar à gerência, pegar minha maquininha e devolvê-la ao infeliz, que só queria devolver AO DONO.

Inacreditável, né? Mas a história não termina aqui. O pernadepaunãotãomiolomoleassim devia ter ainda algumas lamparinas de seu juízo acesas e anotou a placa do carro, que ainda por cima era de uma empresa dessas terceirizadas que prestam serviço a uma determinada TV a cabo. Sendo assim, ficamos de posse também do telefone da empresa e do número do carro.

Para terminar: meu marido até conseguiu entrar em contato com o tal cara - ou ladrão, como queiram - há umas duas semanas através da empresa, e ele ficou de devolver a câmera sem garantia de que as imagens estariam preservadas , mas até agora nada. Seu celular passou a ficar fora de área ou chama e não atende.

Fico sem entender como alguém, aparentemente um trabalhador, fica bem em posse de algo que não lhe pertence, depois de ter se comunicado com o dono do objeto. E a câmera é daquelas antigas, poucos recursos, valor material quase nada. Queria mesmo minhas imagens...

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Ah, dormir...


Gente, que dia ontem. Quando não durmo direito, e isso para mim é uma das piores coisas do universo, vejo tudo através de uma lente, ou como um filme. Parece que só fico assistindo a minha vida passar, sem forças para interagir.

Uma vez minha filha mais velha resolveu passar a noite em claro. Ela deveria ter cerca de 1 ano, e eu já estava trabalhando. Diante de tantas tentativas infrutíferas de fazê-la dormir, desatei a chorar como um bebê. Acho que o pai se apiedou e assumiu o leme da situação; os dois passaram a madrugada chuvosa fazendo desenhos com os dedos na janela. Via a cena com os olhos meio abertos, meio fechados, a mente escapando do meu controle, como um sonho bom. E guardei assim, a imagem como uma tela, uma menina em pé na cama, a camisola maior que ela, e o pai a amparando, ambos se divertindo. E eu, feliz da vida, dormi...

terça-feira, 19 de maio de 2009

A maçã


Bem, bem, bem. Adoro contar meus micos.

Acho que contei em algum post que fiz internato rural, e como a experiência foi enriquecedora. Mas nem tudo é perfeito.

A gente vivia numa comunidade multidisciplinar quase hippie, médicos, enfermeiros, dentistas e eu, nutri, na mais perfeita harmonia. Coisa que infelizmente poucas vezes experimentei profissionalmente.

Enfim, o período de um grupo de dentistas estava se encerrando, e eles resolveram apresentar uma pecinha de teatro em uma das escolas da cidade. Aquela coisa de ensinar cuidados básicos de higiene bucal, prevenção de cáries, whatever. Todos contribuímos com o texto, fantasias, e ia tudo muito bem até que eu fui intimada a atuar. E eu era a miss timidez em pessoa.

- Olha você vai ser a maçã.

- Quê???

- É, a maçã. Você não é nutri? Então, maçã.

E eu estava no momento caprichando no colorido vermelhinho da fruta, desenhada em cartolina que seria colada em isopor. Isso mesmo, mulher sanduíche. Ou melhor, mulher fruta. Acabei de me dar conta que devo ter sido a precursora dessa coisa de mulher salada de fruta, já que isso se passou em, hã-hã, 1990.

Ai, ai, ai, resolvi encarar meus fantasmas e aceitar convite tão sutil, em nome do coleguismo. E também porque um dos dentistas era um gato. Ou melhor, dois... Mas o pior ainda estava por vir.

- Já decorou a música?

- Que música?

- A que você vai cantar...

Gente, não bastava o mico de mulher sanduíche eu ainda teria que cantar. Comecei a achar que alguém estava querendo me sacanear. Tive certeza quando me apresentaram a letra:

"Eu sou a maçã

Vermelhinha e gostosinha

Que me comem todo dia

Para ter mais energia."

Isso no ritmo Teresinha de Jesus. Sentiram?

- Como assim, me comem todo dia???? O negócio é pra criança...

Bem, rolou muita argumentação mas não consegui mudar a letra. Me conformei com meu destino e vamu que vamu.

Dia da apresentação. Palco montado no meio do pátio da escola, apinhado de aluninhos, seus pais e professores. A impressão era de que a cidade toda estava lá.

E lá estávamos nós. A nutri-cenoura, o odonto-escova, o médico-fio dental and so on. Friozinho na barriga, estava chegando a minha vez. Porque só eu ia cantar? Mistério. Nisso alguém me empurra:

- Vai, maçã!

Olhei aquele povo todo, respirei fundo e disparei:

- Eu sou a maçã...

Óbvio. Isso todo mundo estava vendo. Até aí tudo bem.

- Bonitinha e gost...

Nesse ponto a massa do bolo desandou. O gostosinha não saiu nem que a vaca tussisse, mugisse e cantasse o hino nacional em grego. Tive um acesso de riso daqueles sem controle. O pior é que eu ria sozinha, dezenas de olhinhos me fitavam, sérios, sem entender nada. Silêncio total. Tentei começar de novo.

- Eu sou... Kkkkkkkkkk!!!!

Gente, como o palco é solitário... Estava eu lá, artista incompreendida, nem um risinho amarelo da plateia para me apoiar. Só me lembro de ter sido subitamente arrancada de lá, aos costumes.

- Eu avisei que isso não ia dar certo...

Mas acho que deu sim. Pelo menos até hoje eu dou muita risada quando lembro desse mega King Kong...

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Black power


Tenho uma festa anos 70 em junho. Pra variar, além do meu visual, fiquei responsável pelo do meu marido também. Mas pra mulher é tudo mais fácil, uma passada pelo comércio da Tijuca e achei um belo vestido estilo hippie, bem baratinho, em uma loja popular. Cordão, brinco e pulseiras deram o toque final, ficou ótimo com as trancinhas que fiz no cabelo comprido.

E para ele? Pesquisei lojas de aluguel na inernet, mas achei poucas opções e caras. Resolvi dar uma andada pela rua da Alfândega.

Nossa, e andei mesmo.Fui às lojas mais conhecidas e nada. Tentei a Turuna, Silmer, Senhor dos Passos, Buenos Aires... Fui a uma delas convidada pela propaganda de rua:
"Venha para a loja ..., aqui temos todos os tipos de fantasia!"
- Oi, você tem fantasia anos 70?
- Não...
- Ué, a propaganda diz que tem todos os tipos...

Diante da cara de alface da vendedora resolvi me retirar. Aliás, fiz uma constatação: o povo da Saara não gosta de vender. Ô gente mal-educada! Era difícil conseguir alguém que me desse bola.

Já voltava desanimada para casa, uma peruca black power numa sacolinha para não ficar de mão abanando, quando vi umas fantasias no mostruário em uma portinha. Subi as escadas e perguntei à moça vestida de Chapeuzinho Vermelho:
- Você tem fantasia maculina estilo hippie, anos 70?
- Tem sim, olha aí!
Foi inacreditavelmente simpática e me apontou uma arara onde, para meu deleite, achei o que procurava: um conjunto de calça de tergal marrom boca de sino com camisa de gola enorme em marrom, grandes estampas azuis, bem cafona, tudo de bom!
- Nossa, é isso mesmo, tem maior?
- Não sei, não trabalho aqui não.

Bem, estava explicada a simpatia da Chapeuzinho. Quer dizer, nesse momento ela já estava vestida de princesa, Cinderela, acho.

Achei o tamanho G pequeno para ele, mas resolvi arriscar. No caminho pra casa fiquei imaginando meu marido naquela fantasia digna de prêmio.

E para a sorte da minha ansiedade ele estava em casa, e experimentou na mesma hora. Ficou sensacional... Com a peruca e os óculos escuros ele ficou tal e qual o Toni Tornado.
- Ensaia BR 3 aí...

Quando ele entrou no quarto da minha mãe, minha tia levou a mão ao peito e gemeu um "ai" assustado; deve ter achado que era assalto...

Nossa, rolamos de rir... Depois eu conto como foi a festa, tá? Aguardem cenas dos próximos capítulos!

sábado, 25 de abril de 2009

Nostradamus


Outro dia assisti a um documentário sobre Nostradamus. Suas visões (ou não) sempre me fascinaram, lembro do meu medo quando criança ao ouvir que faltavam pouquíssimos papas para o mundo acabar.

Mas interessante mesmo foi uma passagem sobre Catarina de Médicis. Ela tinha sonhos repetidos com uma morte pavorosa de seu marido Henrique II, rei da França, e se espantou ao ler uma quadra do vidente que descrevia a mesma cena que ela sonhava. E de fato seus temores se realizaram quando durante um torneio o rei foi ferido com uma grande farpa da lança de um cavaleiro, que perfurou-lhe o olho, atingindo o cérebro.

O mais bizarro vem a seguir: como os médicos não sabiam o que fazer para tentar salvar o rei - que pasmem, continuava vivo! A rainha teve a singela idéia de mandar decapitar alguns prisioneiros para que se fizessem os experimentos em seus olhos... Tudo muito normal... Como se fazia nos campos de concentração.

O pior é que na verdade ninguém conseguiu arrancar as farpas sem que o globo ocular e parte dos miolos pulassem, e o rei acabou morrendo após agonizar por alguns dias. E eu fiquei aqui impressionada com os pobres que morreram em nome da ciência...

domingo, 19 de abril de 2009

Fogo!


Lá pelas cinco da manhã de hoje acordei com a neném chorando. Ainda meio atordoada ouvi uma confusão de vozes que pensei vir da TV da minha mãe. Logo em seguida ela entrou em meu quarto pilotando o andador:

- Filha, está pegando fogo lá embaixo!

Nossa, que susto! Meu marido levantou num pulo e já me preparava para pegar as crianças e minha mãe quando ele me segurou:

- Não, você fica!

Na verdade era um dos carros de um morador do quarto andar. Ficamos na janela do quarto da minha mãe, que dá para a parte interna do prédio, e o cenário era mesmo de assustar. Ouvi os gritos que pediam para que alguém ligasse para os bombeiros, e corri para o telefone. Na confusão, fiquei alguns segundos olhando para o aparelho em minhas mãos sem lembrar qual botão apertar. O número me veio fácil à cabeça, esta semana estudei para a prova de renovação de habilitação e assisti a um treinamento da brigada de incêndio no trabalho. Caramba, mas o 193 só dava ocupado! Algumas tentavivas e atende uma voz sonolenta:

- Alô...

- É do corpo de bombeiros? Tem um carro pegando fogo aqui na rua C.B.!

- Ah, é um carro? Tô indo.

E desligou na minha cara. O Tico e o Teco demoraram um pouquinho para concluir que provavelmente outra pessoa já teria avisado do fogo e dado o endereço.

Enquanto isso podíamos ver e escutar o nervoso dos homens tentando acionar a mangueira do prédio e os estalos de algo que parecia vidro quebrando (depois soube que eram as telhas próximas que não aguentaram o calor), enquanto a fumaça subia em quantidade, enchendo principalmente os apartamentos de fundos mais baixos.

Saí com a pequena da janela de trás e fui para as da frente, e abri para deixar a fumaça que já enchia o apartamento sair. A menina mais velha dormia tranquilamente, sem suspeitar da confusão. Felizmente, provavelmente ela teria ficado bastante assustada.

Pior mesmo foi ouvir alguém gritar sobre o risco do fogo atingir o gás. Nossa, como a pânico deixa a gente meio besta! Achei que era da tubulação do prédio que falavam, mas na verdade o perigo era o cilindro de gás natural do próprio carro, instalado na traseira.

Pareceu uma eternidade para os bombeiros chegarem, e de fato demoraram mesmo, a sorte é que um vizinho da rua, que é bombeiro, veio ajudar. A mangueira do prédio, inicialmente sem pressão de água, funcionou bem, e os brigadistas não tiveram muito que fazer.

Logo meu marido subiu contando que provavelmente houve uma pane na parte elétrica do carro, que ficou destruído. O dono estava meio em estado de choque, e para completar, não tinha seguro... Fiquei surpresa, era um automóvel desses grandes, novo, tipo pick-up, que eu não me atreveria a encostar o dedo enquanto não estivesse coberto. Mas parece que o seguro é muito caro. É o tipo de coisa que não entendo. Melhor ter um carro mais barato, que eu possa assumir todas as despesas, que ter um de luxo que eu não possa arcar com elas. E ficar no prejuízo total. Total não, pois graças à Deus, ninguém se machucou.

Agora só resta limpar os apartamentos que ficaram imundos. Minha vizinha de porta estava arrumando forças para começar. E trocar as calhas de proteção das janelas da frente do meu carro que derreteram. Era o único estacionado perto do que estava em chamas, felizmente o prejuízo foi mínimo.

Mas eu que fiquei zureta de vez. Acabei de ouvir meu amigo padeiro buzinar e pedi quatro pãezinhos. Ele ficou assustado quando dei seis reais para pagar a conta.

- Não, moça, é R$ 1,20!

- Ih, fiz conta a R$1,50 cada...

- Assim eu ia ficar rico!

É. Acho que o incêndio cozinhou meus miolos.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Gentileza gera gentileza


Ao sair do trabalho hoje dei uma desviada para fazer compras. Cansada, acabei preferindo voltar de táxi. Vim quieta, pensando na vida, sem muito conversar com o motorista. Chegando ao destino, dei uma nota de R$ 50,00 para pagar a corrida de R$ 15,00.

- O senhor quer cinco reais?

- Não precisa não...

E me devolveu uma nota de vinte e três de cinco.

Me vi com aquela quantidade de dinheiro trocado e propus uma troca:

- O senhor não quer ficar com quatro notas de cinco reais e me dar uma de vinte? Ando muito de táxi e está bem difícil conseguir troco...

Ele aceitou na hora, concordando comigo.

Subi, e ao chegar em casa percebi que havia esquecido a sacola no carro. Ai, que vontade de chorar... Passei por algums lojas para comprar o que precisava, e lá se fora o meu tempo perdido. Mas tudo bem, fazer o quê. No dia seguinte teria que repetir o percurso.

Já estava me conformando quando toca o interfone, e para a minha surpresa era o motorista de táxi!!! Pela janela pude vê-lo conversando com vizinhos, provavelmente agradecendo por terem informado o meu apartamento. Desci feliz da vida...

- Puxa, obrigada, que gentileza a sua ter vindo entregar a sacola!

- É, já estava longe quando vi. Mas voltei porque a senhora parece uma boa pessoa.

Fiquei me perguntando se o fato de ter oferecido o dinheiro trocado a ele ajudou em sua decisão tão simpática de me devolver os pacotes sem saber seu conteúdo. Prefiro pensar que sim. E confiar não só na natureza humana, mas também que gentileza gera gentileza...

Opa! Acabo de me dar conta que este é o meu post de número 400. Que bom comemorar essa marca com uma mensagem otimista! E agradeço às minhas três leitoras pela preferência, rsrsrs...

terça-feira, 7 de abril de 2009

Êxe não!


Minha filha estava com um ano e oito meses em sua segunda páscoa. Foi nessa época que comecei a reparar que algumas vezes tentamos realizar desejos nossos nos filhos.

Quando criança adorava ler as revistinhas do Maurício de Souza, principalmente as da Mônica. E como queria um coelhinho igual ao dela, batizado de Sansão já depois de alguns anos de vida. Enfim, quando lançaram a pelúcia do bicho, eu já estava pra lá de adulta, mas fiquei encantada. Com a menina pequena, pensei em presenteá-la na páscoa, ela iria adorar.

Então certo dia entramos em uma loja de brinquedos. Ela já estava naquela fase de querer mexer em todos, maravilhada com a variedade de cores, bonecas, joguinhos. Pegava, abraçava, arregalava os olhinhos:

- Que lindo, mãe!

Animada, avistei meu objeto do desejo e coloquei na sua frente. Ela segurou a caixa, deu uma boa olhada, avaliou e sentenciou, séria:

- Êxe não.

Devo ter ficado alguns segundos parada, boca aberta. Como assim??? Era o Sansão!!!

Nesse meio tempo ela já havia retornado ao chamego com as prateleiras abarrotadas, rindo, feliz, a cada descoberta. E eu de vez em quando fazia nova tentativa, introduzindo o coelho discretamente no seu caminho. Mas a reação era sempre...

- Êxe não.

Fazer o quê, né. Me conformei e nem lembro mais qual foi o presente eleito. Até que no ano passado, com 4 anos, me pediu a Dalila, versão feminina e cor-de-rosa do original. Ainda tentei:

- Olha o azul, que bonitinho...
- Não. Quero a rosa.

E foi a última tentativa, desisti. Até que outro dia....

- Mãe, você compra pra mim o Sansão?
-Ah, esse não!!!!!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Caminhando nas Nuvens


É engraçado como determinadas coisas nos remetem a acontecimentos, datas passadas.

Em 1997 resolvi perder peso, e entrei em uma rotina severa de restrição alimentar e atividade física. Com isso emagreci rapidamente, mas acabei doente. Fui a um clínico que me assustou com possibilidades de problemas sérios, e ainda debilitada fiz uma ultrassonografia.

Felizmente esta nada revelou de grave, e fraquinha, estômago embrulhado, voltei para casa no final da tarde. Minha mãe me pôs na cama e trouxe um lanche, cream-cracker com polenguinho, que degustei lentamente embaixo das cobertas, assistindo ao filme Caminhando nas Nuvens. Achei tão lindo... História cheia de poesia, uma fotografia encantadora e o fofo do Keanu Reaves moleque.

Sempre que estou zapeando e encontro esse filme, paro para ver novamente e lembro desse dia, da agradável sensação de alívio que experimentei entre as quatro paredes do meu quarto, pronta para ficar bem novamente.

Ô, mundinho...


Última parada de hoje, hora de comprar alguma coisa para a pequena que ainda não se amarra em ovos de chocolate. Ou que pelo menos eu não deixo que se amarre.

Já estava preparada para pagar os brinquedinhos quando ouvi aqueles estalidos secos, típicos de disparos de arma de fogo. Todos na loja se assustaram, mas em alguns segundos já estavam do lado de fora assuntando. Todos menos eu, que a essa altura já me refugiara no estoque.

Felizmente não era nada demais, apenas um motoqueiro idiota soltando bombinhas para assustar o povo. Com certeza porque a mãe dele não deve andar por essas bandas.

sábado, 4 de abril de 2009

A escolha de Sofia


Ontem me deparei com duas situações distintas em que tive que priorizar uma das filhas. Lembrei-me desse filme, obviamente minha experiência enquadrada em uma escala infinitamente menor. Vi ainda criança, não me lembro de detalhes, apenas do pavor que me causou a mãe ter de escolher qual de seus filhos deveria sobreviver durante o holocausto.

Nova angústia me corroeu no episódio da tsunami, pouco depois do natal, há alguns anos. Uma mãe teve que escolher qual dos filhos pequenos soltaria na correnteza, impossibilitada que estava de aguentar os dois; optou por largar o mais velho, achando que este conseguiria se manter a tona, e felizmente todos se salvaram. Não se pode prever com quais sequelas psicológicas... Eu, na época com apenas uma filha, sofri por ela. Pensei que provavelmente não deixaria nenhum dos dois, morreríamos os três, juntos. Mas não se pode julgar e muito menos saber ao certo qual seria a reação de fato em uma situação de tamanha gravidade.

Bem, esse papo todo é muito pesado, vamos aos meus relatos, bem mais levezinhos.

Por volta das nove da noite faltou luz na minha rua e perdemos o sinal da NET. Fui para o computador, filha mais velha assistia a um DVD, a terrível atormentava a avó, presa à cama em seu quarto. De repente a energia é cortada em casa, breu total. Imediatamente as crianças começaram a gritar, cada uma de um canto. Por uma fração de segundo me bateu a dúvida de para onde correr primeiro, mas acabei socorrendo primeiro a menor, provavelmente mais apavorada. Com esta no colo fui buscar a maior, e no fim todas se acalmaram.

Já bem mais tarde, ordem e luz restabelecidas, NET ok, papai em casa apagado no chão da sala. Eu e as duas crianças na cama, uma mamando em meu colo, a outra já adormecida. De repente, cabum!!!!! A maior rola para o chão, com cobertor e tudo, e lá fica, dormindo, nem sinal de ter se incomodado com a queda. E aí, deixar a menina no piso frio, com tosse, ou largar a irmã aos berros pela separação abrupta do peito que a aconchegava? Bem, dessa vez a mais velha venceu. Não sei se foi pra compensar o episódio anterior, mas achei melhor assim.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A escada


Felizmente sou bem resolvida. Minha filha de 1 ano me troca por qualquer pessoa em quem ela vislumbre a possibilidade de ir para a rua. Outro dia chegou ao cúmulo de dar a mão e alcançar o elevador com o corretor de seguros, que veio trazer minha apólice. O escândalo ao ser trazida de volta à casa foi ouvido em todo o prédio.

Mas o pior aconteceu no dia de sua festa. Estávamos todos envolvidos em nos arrumar; a irmã pronta, eu ajudando minha mãe, o pai entrando no banho.

Já estava começando a me vestir quando dei falta da pequena. Percorri os cômodos rapidamente, nada. Ao chegar à sala, terror total: a porta da rua estava aberta! Corri para a escada, apavorada, pois a porta que dá acesso à área de serviço, sempre trancada, também fora esquecida escancarada. Nem sinal dela em cima ou embaixo, voltei com o vestido ainda pelo meio, sutiã de fora.

- A. você esqueceu a porta aberta!!!! A K. sumiu!

Ele, calmamente, pega a toalha da Barbie da filha e se enrola. Vai direto para a escada e encontra a fujona, sã e salva, quase chegando ao andar de cima. No meu desespero de que ela pudesse ter rolado escada abaixo, só reparei no primeiro terço da que sobe, quando ela já estava quase no terceiro.

Ai, sensação de alívio... Descontei o susto com uns bons cascudos no papai cabeça oca... Portas, com essa menina, só bem trancadas!!!

segunda-feira, 23 de março de 2009

Chouriço...


Essa é homenagem a uma querida amiga há mais de 25 anos.

Fiz internato rural, experiência extremamente importante para minha formação profissional e sobretudo pessoal. Lidar com gente do interior é gratificante em todos os sentidos. Pude vivenciar o sentimento de felicidade de pessoas que se sentiam assistidas pela primeira vez. E seu modo de agradecer é presentear... Ganhei deste litro de leite a dúzia de laranja, bolo caseiro, aipim plantado e colhido por eles. E para completar a lista, uma senhora muito contente ao perder uns tantos quilos me ofereceu... Um chouriço!

Eu já sabia o que era, mas nunca tinha visto ao vivo e a cores. Aquilo passou de mão em mão entre meus colegas, equipe multiprofissional de internos da saúde. E acabou esquecido em cima da mesa da cozinha... Óbvio que foi desastre total, sangue de porco passando a noite fora do gelo. Não preciso dizer que ficou podre de dar dó e foi direto pra lixeira.

De volta ao meu aconchego, contei o ocorrido a uma amiga, que me corrigiu:
- Mas chouriço não é sangue de porco numa tripa, é uma frutinha!
- Tá doida? Da onde você tirou essa ideia?
- Ué, tinha uma frutinha vermelha que eu não conhecia na minha avó, perguntei: "o que é isso?" e ela respondeu: "chouriço..."

Preciso comentar?

domingo, 15 de março de 2009

It's me, Sugar


Hoje a tarde estava assistindo a uma reprise de "Quanto mais quente melhor", acho a história deliciosa. Ao final fui dar uma fuçada na internet, gosto de ler as curiosidades, coisas inusitadas. E tadinha da Marilyn... Li no site www.adorocinema.com.br que a cena em que ela teria que dizer : "It's me, Sugar!" teve de ser repetida 47 vezes porque ela errava sempre, trocava por "It's Sugar, me" ou "Sugar, it's me"... Por fim o diretor achou melhor escrever essa dificílima frase em um quadro-negro, para que ela acertasse de uma vez.

Mas não é um detalhezinho desses que irá tirar sua majestade...

Good enough...


Essa é da série: "tem coisas que só acontecem comigo."

Era véspera de natal, 1984. Eu e uma amiga resolvemos ir ao cinema ver "Goonies". Dia de semana, achamos que a sala estaria vazia, mas até que a frequencia era boa. Estávamos com quatorze anos, eu, quieta, ela, mais saidinha.

Lá pela metade do filme, ela me cutuca:
- Cacau, o cara do meu lado tá abrindo um saquinho...
- Tá bom. Vê o filme.

Passa um tempinho, eu nem aí pro saco do rapaz. Novo cutucão.
- Ele abriu a calça!
- Para, menina, isso é coisa da sua cabeça! Eu quero ver o filme...
- Mas ele tá se masturbando dentro do saquinho!

Gente, o pior é que estava mesmo. Depois de algum tempo duvidando da garota, tirei os olhos da tela para me deparar com uma cena, no mínimo, insólita.
- Acredita agora??????
- Ai, tô com medo, vamos sair daqui...

Minha cara, ficar com medo. O que um tarado exibicionista faria num cinema cheio de crianças num dia 24 de dezembro com duas adolescentes? Jogar o saquinho e seu conteúdo na gente? Eeeeeeeeeeeca!!!!!!

Bem, nos mudamos. Mais alguns minutos, a amiga chama a minha atenção:
- Cacau, você não vai acreditar, mas tem outro homem do meu lado fazendo a mesma coisa. E sem saquinho!

Saímos rapidinho dessa vez, diante de tão desagradável coincidência, e resolvemos ficar assistindo ao filme de pé, atrás das fileiras de cadeiras. E não é que o segundo cara estava lá, bem perto da porta? Mal o filme acabou, saímos correndo, dessa vez ela ficou com medo também. Seria uma gang de tarados atacando na Tijuca?

Acho que essa foi uma das primeiras vezes que me deparei ao vivo e a cores com esse tipo de situação, que representa tão bem a mediocridade humana. Mas felizmente Papai do Céu tem me poupado desde então, e nunca mais vivi algo parecido. Muito menos em dose dupla!

sábado, 14 de março de 2009

Não resisti...

Minha prima acabou de ligar pra cá querendo falar com minha mãe, de cama, fêmur fraturado.
- Oi, Cacau, a tia tá aí?
- Não, foi dar uma corridinha no Tijuca...

Garganta

Falando da Ana Carolina, lembrei de uma amiga. Trabalhávamos juntas há uns dez anos, na época em que a cantora estava estourando e começávamos a gostar dela. É uma moça bonita, alta, branquiiiiiinha e um tanto melancólica. É capaz de ouvir uma música triste e ficar sofrendo, olhando pela janela, o resto do dia. Mas quando ri, é daquelas que a gargalhada vem forte dos pulmões, boca bem aberta para que ela saia inteira. Quando percebia que ela estava entrando em um estado macambúzio, fazia uma gracinha para animá-la, geralmente dava certo.

Uma tarde de domingo estávamos deitadas cada uma num sofazinho da sala de descanso, ela querendo "sair da casinha". Aí comecei a cantar: "aprendi a me virar sozinha..." e dei um giro de 360º no sofá para ilustrar o verso, quase desabando no chão... E no fim desabamos mesmo, as duas, de tanto rir... Como é bom fazer bobeira de vez em quando!

sexta-feira, 13 de março de 2009

Bons tempos


Esse selinho me trouxe boas lembranças.

Era apaixonada pelo Calvin e Haroldo. Minha mãe assinava O Globo quando eu era adolescente, e durante um bom tempo ler a tirinha era a primeira coisa que fazia pela manhã. Logo passei a colecionar, recortava a historinha e colava em papel A4, tudo guardado com carinho em uma pastinha cor-de-rosa.

A minha preferida era uma em que ele deixava a mãe doida (pra variar), enquanto o pai encarava a situação por trás do jornal. A mãe, estressada, desabafa: "O que foi? O Y foi seu, eu queria uma menina!!!!!!!"

Fiquei arrasada com o fim da dupla... Odiei por anos Zoé e Zezé, lia com toda a má vontade do mundo só para concluir que Calvin era infinitamente superior.

Não sei que fim levou minha pastinha... Da última vez que botei os olhos nela o papel-jornal já estava todo amarelado. A minha "sanha assassina" deve ter falado mais alto e provavelmente a pastinha e seu conteúdo desbotado foram descartados. Vou tentar me consolar com a idéia de que a essa altura não daria para enxergar mais nada mesmo...


quinta-feira, 12 de março de 2009

Nada é por acaso


Hoje é meu aniversário!!!!! Amo essa data, acho que vai ser assim até eu ficar velhinha.

Aproveitei para almoçar com marido e filhas no restaurante japa que eu adoro, e que sempre dá um presentinho para a clientela, o "big day." Foi tudo muito rapidinho, mas deu para refrescar a cabeça.

No fim da tarde recebi a visita da minha prima, marido e filha, e mais tarde da "cumadi", madrinha da mais velha.

Entre um pedaço de pizza aqui, um pão de queijo ali, de repente...

- Meu dente caiu...

Não, a frase não foi proferida por nenhuma das crianças presentes, mas pelo marido da prima, muito desolado. O pior é que foi o incisivo central superior, imaginem a cena... Ele ficou de fato bem desanimado, com razão, diante da perspectiva de passar uns dois dias pelo menos com aquele sorriso desfalcado.

A noite transcorria sem maiores incidentes até a hora do parabéns. Na falta de uma velinha que marcasse meus 39 verões (opa!), peguei a de citronela mesmo, que uso para espantar o aedes. Só que meu marido, muito inventivo, resolveu fazer uma torre de fósforos sobre o bolo, que sozinho já parecia a Torre de Pizza de tão tortinho. E acendeu sua obra de arte, mesmo com todos os presentes pedindo para que não o fizesse. Cantamos parabéns rapidinho, para dar fim ao fogaréu, mas foi uma "sopração" danada sem efeito. Eu, as crianças, meu marido, e nada.

Já estava esperando o desastre, quase uma vídeo-cassetada, quando de uma única e poderosa assoprada o momentanemente desdentado deu fim à labareda.

- Viu? Foi o vento pelo buraco!!!!- disse a esposa, espirituosa...

Completei, aliviada:

Tá vendo? Se o dente não tivesse caído, a gente não teria conseguido apagar! Nada é por acaso mesmo, rsrsrsrs...

sábado, 7 de março de 2009

Surprise, surprise


Minha avó paterna criou um irmão mais novo como filho depois que seus pais morreram. Ele cresceu, foi morar nos Estados Unidos, casou, teve filhos. Os mais velhos acho que ela nem chegou a conhecer, mas o mais novo, fruto de um segundo casamento, ela adorava.

Tive pouco contato com ele, mais quando era pequena e eles vieram morar em São Paulo. Algumas vezes apareciam em Niterói para ver a família, principalmente minha avó, que já estava ficando velhinha. Meu lado paterno sempre foi muito especial, e tinha uma afinidade com o menino, que eu pouco via, mas era da minha idade.

Minha avó faleceu há uns quinze anos, e o contato com o que restou da família foi se perdendo ao longo desse tempo. Mas os milagres do orkut... Meu primo herdou o sobrenome de meu bisavô paterno, um tanto incomum, e pesquisando no site achei seu filho adolescente! Conclusão: retomamos contato, enviamos e-mails, contamos sobre nossas vidas, lembramos do passado. Ele tem dois filhos, um rapaz e uma menina muito fofa, de vez em quando trocamos mensagens.

Mas a melhor susrpresa tive esta semana... Ele é músico, e me mandou um de seus CDs de presente. Eu achava que era instrumentista, mas na verdade toca violão e canta também. Passei a noite encantada, meu primo tem talento de verdade. Adorei ouvir sua voz e seu violão, pensei em como minha avó ficaria orgulhosa. A seleção das músicas também foi excelente: Beatles, Erick Clapton, Chico Buarque, Caetano, Cat Stevens... Cantei e dancei com ele. Puxa, meu primo é artista, amazing!!!!