Mostrando postagens com marcador Inexplicável. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Inexplicável. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Sensibilidade

Tem coisas que a gente não consegue explicar mesmo.

Durante muitos anos minha mãe manteve um casamento do tipo cada um na sua casa, juntos nos finais de semana. Estes eram invariavelmente na casa dele. Nos últimos anos ele adoeceu e passou a ficar mais dependente dela, que, assim, ficava períodos maiores ausente. Com a netinha pequena em casa, começou a ficar incomodada, com saudades, e um determinado dia achou melhor trazê-lo com ela.

Pois bem, desde a primeira vez que botou os olhos nele, a menina, que devia estar com uns dois anos, chorava e demonstrava um medo sem explicação. Ela passou a não circular pela casa, se quisesse sair de algum cômodo esticava a cabeça através da porta para se certificar que ele não estaria pelo caminho, e só saía de mãos dadas com alguém.

Ficava com peninha dela, que havia perdido a liberdade dentro de casa e não sabia verbalizar porquê, da minha mãe, que não queria sair do seu canto, e dele também, já idoso, enfraquecido, provavelmente incomodado por alterar a rotina da família.

Depois de algum tempo ele melhorou e resolveu voltar para sua casa. Uns dois meses depois, nova recaída. Estava no trabalho almoçando quando minha mãe ligou para avisar que estava indo para nossa casa com ele. Respirei fundo e pedi à Deus que não acontecesse o mesmo da outra vez.

Quando meu marido foi me buscar contei a novidade e ele demonstrou o mesmo receio, mas não comentamos mais o assunto. Era uma quinta-feira, dia em que costumávamos tomar um passe em um centro próximo de casa. Pegamos nossa filha na creche e fomos todos juntos . Ficamos boa parte do caminho em silêncio, cada um com seus pensamentos; tomamos o passe e fomos embora. Quando meu marido pegou a chave para colocar na fechadura, a pequena nos surpreendeu com a seguinte frase:
- Eu não quero ver o vovô!

Eu e meu marido trocamos olhares arregalados, pois como ela poderia saber? Nenhum dos dois havia falado nada na frente dela... E também não tivemos coragem de perguntar de onde ela havia tirado a idéia de que ele estaria lá em casa.

É a tal da sensibilidade das crianças, mas que susto levamos...

Mão na cabeça

Tenho uma amiga que é dada a acessos de raiva. No trabalho costumava sentar em frente a ela, e era comum que se aborrecesse ao telefone e batesse com o fone no gancho com força nessas horas.

Um dia estava brigando com uma ex-chefe, que aparentemente estava querendo se apropriar de seu material de trabalho. Ao desligar, da forma que descrevi, esbravejou bastante irritada:
- Sua vaca!
Imediatamente senti uma pontada bem no alto da cabeça, como se estivessem me enfiando uma agulha no meio do cucuruto.
-AAAAi!!!!

Diz uma colega minha que existe um chacra nesse determinado ponto. Só sei que depois desse dia, sempre que ela começava a se alterar, colocava as mãos sobre a cabeça pra me proteger. E dava certo, pois ela começava a rir e acabava esquecendo o motivo da zanga...

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Como mutante

No fundo sempre sozinho...
Não, não é bem assim.Sempre me senti só. Filha única, tímida, poucos amigos, família pequena. Introspectiva, um mundo interior tão cheio de inquietações, somente minhas. É certo que o tempo fez com que eu me abrisse um pouco, mas só um pouco.

Cresci católica, mas me descobri espírita na idade adulta, religião que me respondeu várias indagações. Certa vez fui a uma festa de crianças em um centro de umbanda; não gosto muito dessa linha, mas respeito, e não recusei o convite que me foi feito. Nesta época andava sentindo umas dores no peito, o que me angustiava (ou a angústia me dava dores no peito?), mas relutava em procurar um especialista. Já haviam me dito que nesse centro o passe era diferente, interessante, e que eu não deveria deixar de experimentá-lo.

Ok, lá fui eu. O centro era num lugar bem bonito, como um sítio, e o passe era em grupo, em uma cabaninha. Podiam ir seis pessoas por vez, três de um lado e três do outro, de frente umas para as outras. O passe era demorado, tinha todo um ritual. O médium fumava um tipo de cachimbo e usava umas folhas como as de bananeira que ele passava na gente, provavelmente para purificação. Depois de algumas palavras em oração, encheu uma cuia com água que todos teríamos de beber. Nessa hora minha concentração foi pro brejo, fiquei pensando quantas bocas teriam passado por ali... Prestei bastante atenção onde minha mãe botou a boca para beber no mesmo local, pelo menos a "baba" era familiar. Quando o médium veio a mim pela última vez com aquelas folhagens, passando pelo meu corpo, senti um alívio imenso, uma paz, uma sensação de um grande peso sendo tirado de dentro de mim... Não sei o que aquele homem fez, mas suas vibrações positivas me libertaram da angústia, da dor no peito. Me levantei alguns quilos mais leve, pronta para sair daquela cabana diferente do modo que entrei, e quando os outros já haviam saído, ele me parou, deu um abraço carinhoso, me olhou lá dentro dos olhos de uma forma doce, e disse:
- Filha, você se sente muito só, não é? Mas isso não é verdade, tem sempre alguém perto de você...

Senti uma imensa vontade de chorar pela compreensão que senti naquele homem... Que sina bonita a sua, aliviar o sofrimento de outros...

E é isso... No fundo, NUNCA sozinho!

Transmimento de pensação


Comigo e meu marido é muito engraçado. No começo do namoro era normal eu acordar de repente milésimos de segundo antes dele telefonar ou tocar a campainha. Hoje é comum nos ligarmos ao mesmo tempo ou falarmos a mesma frase juntos. Mas a história que vou contar me impressiona até hoje...
Devia ter uns 16 anos, aquela fase em que adoramos música. Na minha adolescência costumava comprar "LPs", vinil mesmo, e ir pra casa de amigas gravar coletâneas em fita cassete. Tá, acabei de entregar minha idade. Bem, continuando, quando gostávamos de alguma em especial , tínhamos que ir às lojas de discos procurar, não tinha internet não, essa molezinha... Estava eu já há um bom tempo procurando uma música do MPB4, Amigo É Para Essas Coisas,um tanto melancólica e já antiguinha na época, e sem sucesso.
Nesse ponto entra em cena um amigo meu. Na verdade, amigo de amigo que vira amigo. Menino gente boa, sorriso e fala fácil, carente de tudo, sempre um gesto carinhoso. Nunca soube direito seu endereço ou telefone, mas de vez em quando ele aparecia. Numa dessas visitas que duravam horas, em que ele desfiava algumas de suas histórias entre tantas risadas que metade não dava pra entender, comentei:
- Puxa, tem um tempão que estou procurando uma música e não acho...
Nesse exato momento ele dá uma tamborilada na mesa e canta:
-"Salve, como é que vai, amigo há quanto tempo..."
Até hoje fico com a boca aberta quando lembro. Não era música da moda e nem tão conhecida assim entre a garotada, tipo música que pai e mãe gostam. Acho que esse foi o caso mais contundente de transmimento de pensação que vivi...

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Encontro com Chico Xavier


Penso que a vida nos manda mensagens o tempo todo, mas muitas vezes não paramos para entendê-las. Uma inesquecível me aconteceu há uns 10 anos, e não me canso de contá-la. Trabalhava na época em um hospital geral e já ao ser admitida fui trabalhar no pronto-socorro. Essa é uma experiência e tanto... Tinha cerca de 20 anos, e todas as manhãs me deparava com cenários deprimentes... Seres humanos padecendo dos mais diferentes males em um local que quase nenhuma estrutura oferecia, alguns jogados em macas frias, outros em cadeiras ou até pelo chão, cheiro de urina, fezes... Pessoas esperando alguém que lhes desse atenção, remédios, alimentos, ou seja, qualquer coisa que amenizasse seu sofrimento. Ali fiquei por 4 anos até pedir a minha chefia que me colocasse em outro setor. A partir de então tomei verdadeiro pavor ao PS, e o máximo que me permitia fazer era passar pela porta.

Coincidentemente éramos um grupo de nutricionistas, mulheres, em sua maioria praticantes ou apenas simpatizantes da doutrina espírita. Trocávamos livros psicografados, e muitas vezes conseguíamos ler nos plantões de final de semana, mais tranquilos. Eu estava começando a gostar desse tipo de leitura, Católica não praticante, cheia de dúvidas que a Igreja não conseguia esclarecer. Líamos sobremaneira a Zíbia Gasparetto, romances de fácil entendimento, agradáveis, sempre com algum ensinamento em suas páginas.

Meu avô, espírita, alguns anos antes de falecer havia me presenteado com o Evangelho Segundo o Espiritismo, mas na época li apenas alguns trechos e fiquei um tanto impressionada. Adolescente ainda, essa coisa de vida após a morte me arrepiava, apesar de nunca ter duvidado de que a reencarnação é um fato. Vejam bem, essa é a minha crença, não pretendo que seja entendida como verdade absoluta.

Num desses plantões de domingo uma colega levou para o trabalho Nosso Lar, de Chico Xavier. Como ela iria se ausentar por um tempo e eu não tinha nada para ler, pedi que me emprestasse durante esse período. Assim fez, e comecei a ler e me encantar pelo texto e as mensagens que transmitia. Mas eis que o compromisso da minha colega é adiado e ela volta muito antes do previsto. Puxa... Fiquei triste... Enfim, lembrei que uma outra colega trazia sempre seu walkman e pedi emprestado. Só que essa era a nutricionista do PS no momento, e tinha deixado o danado lá na salinha... Essa era uma das únicas vantagens da Emergência, uma sala só nossa, no fim do corredor. Bom, fazer o quê. Venci minha resistência e fui lá para buscá-lo. Me lembro de entrar no PS e avistar a porta da salinha, bem lá no fuuuuuundo do corredor. Caminhei até ela, abri e vi o walkman em cima da mesa. Tudo que eu tinha a fazer era pegá-lo, fechar a porta e sair rapidinho. Mas alguma coisa me fez entrar, dar a volta na mesa e sentar na cadeira. É nítida na minha cabeça a lembrança de ter logo em seguida aberto a primeira gaveta da mesa e ter me deparado com nada mais, nada menos do que um outro exemplar do Nosso Lar!!!!!!!! Não preciso dizer que passei o resto da tarde ali, devorando suas páginas, feliz e agradecida por ter sido levada até lá e por ter entendido a mensagem. Que bom se fosse sempre assim...