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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Explicação

Comecei o post anterior em 30 de dezembro, mas fui interrompida e só retomei hoje. Na verdade, não mexi mais em nada, só publiquei. Incompleto.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Incompleto

Esse ano foi misturado, complicado, trabalhoso. Fico meio triste de ter deixado minhas "escrivinhações" um tantinho de lado, mas não teve outro jeito. Penso que esse pode ser um projeto de ano novo, retomar o repartir de ideias e fatos com minhas três leitoras assíduas!
Mas vou fazer diferente, desta vez, nada de projetos a longo prazo. Vou pensar no hoje Viver o dia, saborear o agora, rir das bobagens que liberam endorfinas. Sorriso de bebê, nesta categoria, é hours-concours, e eu tenho a sorte de ter uma coisinha pequena aprontando 24 horas.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Hiato

Reencontros são tudo de bom. Ainda mais quando acontecem na hora em que achávamos que não seriam possíveis.

Falo daquele reencontro após um afastamento de vidas, pensamentos, falhas de comunicação, interpretações erradas, ruído na mensagem.

Tipo de coisa que deixa um hiato na alma da gente. Parece que fechamos o olho e ao abrir se passou um dia, um ano, tantas coisas pequenas... Mas um sorriso de peito aberto, um abraço de uma alma para a outra fazem esses trezentos, quatrocentos ou sei lá quantos dias sumirem como pó.

Que bom que passou. Feridas cicatrizadas, bobagens esquecidas, falhas perdoadas e tenho de volta uma parte de mim que esteve ausente. Bom para aprender que de tudo isso o que importa mesmo é a amizade.

E amigo é que nem sutiã: perto do coração e sempre ali para apoiar!

domingo, 24 de maio de 2009

Inconsciente

Engraçado. Bati os olhos no título de um post anterior, "separação". A palavra deve estar na minha cabeça por conta da ida da pequena para a creche antes do que eu havia planejado.

Acho que sou muito metódica, e quebras no que eu cuidadosamente planejo me deixam um tanto estressada. Queria que ela ficasse um pouco mais em casa, deixar seu sistema imunológico mais preparado para todas as bactérias novas que outras crianças irão apresentá-la. Mas não deu.

E lá vem uma separação... Minha filha, naturalmente simpática, choramingou em todos os lugares que visitamos. Ficou no meu colo, cabeça apoiada em meu ombro. Não quis descer ou ir com outras pessoas. Bebês são mesmo muito espertos.

A adaptação começa amanhã. Meu coração está um pouco mais doído do que com a mais velha, que foi para a creche menorzinha, mas eu já sabia que seria assim desde antes que nascesse.
Mas vai dar tudo certo.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Bom lembrar


Minha memória me prega peças.

Minha filha menor desenvolveu a estranha mania de puxar as longas pestanas quando está prestes a adormecer. Comentei com minha mãe, que disse:

- Lembra que eu arrancava as suas?

É verdade, coisa curiosa a memória. Quando ela falou sobre seu hábito peculiar, uma luzinha se acendeu. Ela gostava de furtar meus longos cílios para ficar enrolando entre os dedos polegar e indicador. Hábito esquisito mesmo, mas acho interessante o fato, mesmo bobinho, ter se apagado completamente da minha cabeça, cena tantas vezes repetida.

Me veio outra lembrança: minha cachorrinha vira-lata, Natty, gente boa... Nos seguia pela casa e estava sempre aos nossos pés. Ela e minha mãe costumavam passar as noites em meu quarto vendo TV até que eu resolvesse dormir. Minha mãe repetia invariavelmente, em tom de brincadeira:

"Natty, fomos expulsas!"

Ah, coisa boa lembrar.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Crianças de um novo tempo


Nasci carnívora. Muito carnívora. Não conseguia imaginar um prato de almoço ou jantar sem uma boa porção de carne, de preferência vermelha e mal passada. Passeios a churrascarias eram meu sonho de consumo.

Mas de uns tempos pra cá isso foi mudando. Passei a ter uma certa preguiça de mastigar, e belos pratos de salada se tornaram uma boa pedida. Não que eu rejeite proteína animal, só aprendi a me virar sem ela. E bem.

Mas o que de fato me causa uma certa surpresa é a quantidade de crianças que rejeitam carne. Minha filha é uma delas, aceita muito pouco, fica bem com macarrão, queijo e leite, muito leite. A menor, até o momento, enrola os pedaços na boca e acaba cuspindo.

Às vezes fico me perguntando se esta não será uma geração mais evoluída espiritualmente, que já nasce livre de alguns vícios. Pode até ser apenas coincidência, mas gosto de acreditar nisso.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Woman thinking


- A Glória Maria era tão antipática, o Fantástico melhorou muito depois que entrou a Patrícia Poeta.

Essa deve ter sido pelo menos a quinta vez que escutava meu marido fazer o mesmo comentário. Dessa vez me chamou a atenção.

- Que tanto você fala nessa Patrícia Poeta?

- É que quando falo você nunca responde nada...

Vi que ele tinha razão. Muitas vezes quando convivemos de muito perto com alguém achamos que a pessoa tem de entender nossos silêncios, expressões faciais, os desejos mais íntimos. Compreendi que a cada vez que ele repetia a frase, eu ficava quieta avaliando qual era minha opinião sobre o assunto. Sem chegar a uma conclusão, nada dizia. E lá no fundinho do meu cérebro devia morar a certeza de que ele conhecia o teor de meus pensamentos. Ledo engano. Felizmente!

Agora aprendi. Sempre que ele fala algo esperando minha opinião, que às vezes demoooooora, aviso:

- Peraí, tô pensando!!!!!


quinta-feira, 16 de abril de 2009

Ai, que saudades do Cesinha...


Sem comentários. Quem é servidor municipal do Rio de Janeiro sabe do que estou falando.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A cor do discordar


A base do diálogo é ouvir e ser ouvido. Nada mais frustrante que tentar trocar ideias com alguém que não está pronto para isso.

Minha natureza é quieta, numa descrição resumida. Gosto de observar, pensar sobre o que escuto e racionalizar antes de emitir conclusões. Tudo bem, acontece amiúde do assunto já ter mudado um par de vezes até que eu processe tudo dessa forma... Mas há a vantagem de que controlo a impulsividade e seguro palavras e impressões precipitadas, que poderiam ser desastrosas.

E mais que tudo: debates perdidos, passo longe, deixo a criatura monologar só. Se percebo que inexiste o desejo de compartilhar, crescer, ouvir, não conte comigo. Mas não entendam com isso que só gosto de conversar com o espelho, não; adoro pensamentos diferentes, versões novas, centelhas de inteligência. Pessoas que se permitem expor razão e emoção e que também se deleitam em debater o desacordo. Não que com isso alguém vá mudar obrigatoriamente o modo de pensar. Apenas deixá-lo muito mais colorido...

Lentamente a vida se infiltra


Passei por uma fase de cansaço mental, mas estou me recuperando. Acho que depois de uma "tempestade" em que muito foi exigido de mim fisicamente, meus neurônios resolveram tirar férias. Nada de dramático nisso, apenas as coisas estão voltando ao curso habitual, lentamente.

E há uma constatação óbvia nisso: quando deixamos de usar o cérebro por algum tempo, por menor que seja, parece que as ideias desaparecem. E foi o que aconteceu comigo, presa em casa, providências práticas a se tomar, nenhum tempo para exercitar a criatividade.

Depois da semana santa voltarei ao trabalho. E sinto falta disso... Aquela rotina de acordar cedo, encontrar os colegas de sempre, jogar conversa fora durante o café e a cada dia uma tarefa diferente a realizar. Probleminhas, pequenas discussões e divergências, outros pontos de vista, diálogos que enriquecem. E a certeza de voltar para casa, encontrar minha família... Enfim, a vida que eu sempre quis.

É verdade. Sempre desejei casa, vida a dois, filhos, trabalho estável. Tenho tudo isso. Algumas pessoas se sentem perdidas quando alcançam aquilo que tanto almejaram. Acho que minha natureza demasiado prática não me deixa entender esse tipo de coisa, pois estou constantemente querendo algo mais... Nem dá tempo de parar e pensar: "consegui, e daí?", já que novos anseios, somados aos antigos, sustentam a chama da novidade, do inesperado, acesa.

E aí? Sou objetiva demais?

sexta-feira, 20 de março de 2009

Como um rio


Acredito em destino. E que temos a liberdade de escolha para modificá-lo.

É como se existisse um roteiro escrito a lápis para cada um na mão esquerda e uma grande borracha na direita. A cada nova experiência temos a possibilidade de assimilar o que mais nos toca, apagando passagens desnecessárias, acrescentando outras, invertendo a ordem programada.

O conjunto de nossos pensamentos, atitudes e pequenos gestos nos torna merecedores de enfrentar situações próprias. Por isso o roteiro é uma obra aberta, uma novela. Ninguém pode prever com certeza como será a reação de uma alma única. Esta pode ser diversa dependendo do momento, do humor, da lua... E assim, as consequências são igualmente alteradas.

Gosto de pensar que cada dia é uma possibilidade. Mesmo que eles pareçam se seguir como uma infinita repetição tediosa, há detalhes que os tornam únicos e especiais.

A cada dia único e especial agradeço pelo que sou, anseio pelo que sei que ainda posso ser. E continuo a trabalhar por mim. Às vezes animada ou triste, cansada ou cheia de gás, irritada ou plácida como um lago sereno. Volúvel e constante, plena de certeza e contradição, pressa e paciência. Um pouco de cada coisa. E nunca a mesma.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Life goes on

Estou me recuperando do episódio bateria. É, na vida tudo passa.

Sei que sou humana, cheia de falhas. E me permito a cometer algumas, como mãe. Mas outras são inconcebíveis.

Quando minha filha mais velha tinha pouco menos de dois anos, vivenciamos uma situação limite, de risco, e falhei. Tive um comportamento, puro reflexo, do qual me arrependo e envergonho profundamente até hoje. Algo que me incomoda a ponto de não conseguir compartilhar. Foi imperceptível para quem presenciou, mas para mim, não tem perdão.

Enfim, a história se repetiu com a caçula. Tinha me prometido mais atenção a situações como essa, e mais uma vez não dei o devido valor aos sinais.

Uma mãe não pode achar que não vai acontecer nada. Tem que ter certeza. E agir.

Não há como se medir o amor por um filho. E o cuidado tem que ser nessa medida, ou seja, amor que não se mede, cuidado que não se mede.

Isso me fez pensar sobre preferências. Quando estava grávida pela segunda vez me perguntava constantemente se amaria as duas crianças igualmente. O tempo passado com a mais velha, o carinho construído, a história vivida me diziam que seria difícil. Mas não foi. Não sei se um dia me identificarei mais com uma que com outra, mas o espaço no meu peito é igual. Isso em situação normal de atmosfera e pressão. Pois se o calo de uma aperta, é por essa que o coração bate mais forte...

São José


Hoje é dia de São José.

Me orgulho de ter estudado em um colégio marista que leva seu nome.

Ali entre suas belas e clássicas paredes ratifiquei conceitos que eram apenas sementinhas brotando para a formação do que sou hoje.

Conheci pessoas que se tornaram referência de amizade.

Tive acesso a uma boa educação, cultivei o gosto pela leitura.

Amadureci o respeito por quem já viveu mais que eu, ou tanto quanto, ou menos, também.

Ouvi pela primeira vez a palavra "fraternidade", e pensei sobre ela.

Ali vislumbrei o meu futuro... E aprendi que poderia ser como eu o desenhasse.

Dali parti carregando enorme nostalgia.

Hoje é dia de São José.

Salve!

quarta-feira, 18 de março de 2009

Desabafo

Estou arrasada com a história da minha filha ter engolido a bateria, me sentindo a pior mãe do mundo. Não tenho nem vontade de escrever.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Oh, Lord!


Meu cérebro anda soltando pequenas fagulhas de memória. Aos poucos, é claro. Aí vai mais uma pérola do fundo do baú:

"Mas é você que é mal-passado e que não vê..."

Depois de todos esses anos o cara já deve estar no ponto...

terça-feira, 10 de março de 2009

Flores


Fiquei matutando sobre o comentário da Pat ao meu post "Misunderstood". Essa coisa do significado de algumas letras, como ele nos atinge, e como chega a milhares de outras pessoas. E no fundo é tudo uma questão de interpretação, algo muito individual, do sentimento que imprimimos ao que ouvimos, como cada palavra nos fala ao coração em momentos distintos.
Quando era adolescente e escutava algo com o que me identificava, pensava: "nossa, foi feita pra mim!" Hoje entendo que não necessariamente o compositor quis transmitir exatamente o sentido que captei.
Me ocorreu agora que os Beatles sempre negaram (óbvio!) que "Lucy in the sky with diamonds" fosse um retrato de uma "viagem" movida à LSD; se eu não me engano, John Lennon dizia que esse título era uma alusão a um desenho de seu filho mais velho. Alguém compra essa versão? E quem está certo? Ninguém! Ou todo mundo, vai da vontade do freguês...
Mesmo Chico Buarque nega muitas das interpretações mirabolantes que alguns críticos fizeram da sua obra, que eu tanto admiro. Se bem que acho que ele faz isso mais por charme... E também já assumiu ter se valido de uma enciclopédia para compor "Passaredo"...
E tudo pode mudar, aí está a riqueza que cada idioma carrega. Outro dia estava assistindo ao programa Altas Horas, e num determinado momento o Serginho Groissman, que recebia o Paulo Miklos, resloveu perguntar à plateia o que entendiam da letra de "Flores." Uma menina veio com a interessante ideia de que esta versava sobre o ponto de vista de uma pessoa morta, dentro de um caixão. O mais legal é que o compositor, ali presente, adorou o sentido, prometendo cantar da próxima vez pensando sob esse aspecto.
A seguir vai a letra. Concordam com a menina?


Flores

Composição: Tony Bellotto / Sérgio Britto / Charles Gavin / Paulo Miklos

Olhei até ficar cansado
De ver os meus olhos no espelho
Chorei por ter despedaçado
As flores que estão no canteiro
Os punhos e os pulsos cortados
E o resto do meu corpo inteiro
Há flores por todos os lados
Há flores em tudo que eu vejo

A dor vai curar essas lástimas
O soro tem gosto de lágrimas
As flores têm cheiro de morte
A dor vai fechar esses cortes
Flores
Flores
As flores de plástico não morrem

segunda-feira, 9 de março de 2009

Misunderstood


Adoro música, quando era adolescente passava os dias ouvindo rádio e tentando entender e transcrever as letras das de língua inglesa. E nessa coisa de cantar o tempo todo, passava batida por alguns pedaços, o negócio saía do jeito que eu entendia. Lembrei de alguns casos:

1- "Na madrugada a vitrola rolando, um blues, tocando de biquini sem parar..." (Acho que não estou sozinha nessa, é meio que obrigatório errar!)

2 -"Vou ser artista de cinema, o meu destino é ser e estar..." (To be or not to be?)

3 -"Escuta agora a canção que eu fiz pra te esquecer, Luiza, eu sou apenas um programador..." (A dúvida é: programas o quê?)

4 -"Eu levo a sério mas você disfarça, você me desavessa (???????) e eu nessa de horror..."(Nonsense total, culpa única e exclusiva da dicção do Djavan.)

5 -"Me dê a mão, vencer a minha estrela..."(Pelo menos a pronúncia não denuncia o furo...)

As seguintes são do meu marido e minha avó, respectivamente; são hours-concours...

1 - "E aí o amor pode acontecer de novo pra você, alpiste..." (Até hoje eu acho que ele erra só pra fazer gracinha...)

2 - "A pagar sem ver toda essa droga que já vem malhada "antena c..."(Juro que passei todo o período de exibição da novela "Vale Tudo" tentando convencê-la que não era bem isso...)

E tem uma que eu ouço, entendo, mas até hoje acho que tem algo errado:

1 -" I look at the floor and I see it needs sweeping..."

Fala sério... Cadê a poesia? Às vezes é melhor não entender.

Senso de justiça


Sempre me peseguiu a obsessão de conseguir enxergar a verdade. Mas na maior parte do tempo é demasiado complicado perceber as sutilezas que a separam da mentira.

Como julgar? Necessariamente esses dois lados se fundem de uma forma pouco maniqueísta, uma vez que quando há uma situação de divergência entre dois lados, cada um pode ter a sua versão, não menos sincera uma que a outra.

Cada pessoa entende diferentes fatos de modos igualmente diversos. E pinta as nuances com as cores que mais realçam a história a seus olhos. Muitas vezes esse é um mecanismo involuntário, que desencadeamos sem maldade.

É certo que há os que "puxam a brasa para sua sardinha", propositalmente, para merecer crédito, louros ou qualquer outro benefício que almejem. E desse modo desenvolvem uma tal capacidade para mascarar fatos que acabam por acreditar piamente em suas versões.

Mas e quem está de fora, como saber? Fico pensando como fica a consciência de defensores, promotores e, sobremaneira, juízes. Precisam defender culpados, condenar inocentes e julgar qual o lado mais coerente de cada querela. Tenho certeza que se eu tivesse escolhido qualquer uma dessas carreiras iria viver assombrada pela dúvida a cada novo caso.

domingo, 8 de março de 2009

8 de março de 1857


"8 de março de 1857: ataque incendiário da polícia causa morte de cento e vinte e nove operárias da fábrica Cotton, em Nova Iorque, que reivindicavam melhores condições de trabalho."

Penso que esse fato não deveria servir de estopim para comemorações. Apenas de homenagens a elas.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Decepções


Todo dia temos que criar mecanismos para lidar com situações adversas. Aquelas que nos decepcionam tremendamente.

E o que é uma decepção? É qualquer atitude vinda de alguém de quem esperávamos algo diferente, algo que viesse de encontro a nossos anseios. Quando somos dotados de um grau um pouco maior de sensibilidade, isso pode machucar bastante.

Nem sempre é possível controlar sentimentos... Por mais que o cérebro comande e diga: "siga em frente!", às vezes o coração titubeia...

É preciso martelar a tecla de que não se deve esperar nada das pessoas, somente agradecer pelo bem recebido. Afinal, ninguém pode dar o que não tem.