segunda-feira, 27 de abril de 2009

Woman thinking


- A Glória Maria era tão antipática, o Fantástico melhorou muito depois que entrou a Patrícia Poeta.

Essa deve ter sido pelo menos a quinta vez que escutava meu marido fazer o mesmo comentário. Dessa vez me chamou a atenção.

- Que tanto você fala nessa Patrícia Poeta?

- É que quando falo você nunca responde nada...

Vi que ele tinha razão. Muitas vezes quando convivemos de muito perto com alguém achamos que a pessoa tem de entender nossos silêncios, expressões faciais, os desejos mais íntimos. Compreendi que a cada vez que ele repetia a frase, eu ficava quieta avaliando qual era minha opinião sobre o assunto. Sem chegar a uma conclusão, nada dizia. E lá no fundinho do meu cérebro devia morar a certeza de que ele conhecia o teor de meus pensamentos. Ledo engano. Felizmente!

Agora aprendi. Sempre que ele fala algo esperando minha opinião, que às vezes demoooooora, aviso:

- Peraí, tô pensando!!!!!


domingo, 26 de abril de 2009

Meninos


A neném estava mamando, um amiguinho da irmã de cada lado.

- Tia, tem leite aí?

- Tem.

- Ela gosta?

- Gosta.

- Mas vem de onde?

- O corpo das mães faz.

- Ah... Mas vem assim puro, sem açúcar, Toddy, Nescau?...

sábado, 25 de abril de 2009

Eu mereço?


Tive que brigar com meu marido após dois dias sonhando com ele.

O primeiro até relevei; neste ele me trocava pela Grazi Massafera, enquanto eu ficava perguntando: "mas e o Cauã?"

Mas o outro é a cara dele... Estávamos saindo para comprar um carro para mim, zero. Lá ia eu toda contente quando ele propôs:

"Vamos naquela loja ali, chegou um carrinho que é a sua cara..."

E eu segui toda crédula para dar de cara com um fusquinha branco todo empoeirado...

Acordou a base de cascudos, merecidamente.

Nostradamus


Outro dia assisti a um documentário sobre Nostradamus. Suas visões (ou não) sempre me fascinaram, lembro do meu medo quando criança ao ouvir que faltavam pouquíssimos papas para o mundo acabar.

Mas interessante mesmo foi uma passagem sobre Catarina de Médicis. Ela tinha sonhos repetidos com uma morte pavorosa de seu marido Henrique II, rei da França, e se espantou ao ler uma quadra do vidente que descrevia a mesma cena que ela sonhava. E de fato seus temores se realizaram quando durante um torneio o rei foi ferido com uma grande farpa da lança de um cavaleiro, que perfurou-lhe o olho, atingindo o cérebro.

O mais bizarro vem a seguir: como os médicos não sabiam o que fazer para tentar salvar o rei - que pasmem, continuava vivo! A rainha teve a singela idéia de mandar decapitar alguns prisioneiros para que se fizessem os experimentos em seus olhos... Tudo muito normal... Como se fazia nos campos de concentração.

O pior é que na verdade ninguém conseguiu arrancar as farpas sem que o globo ocular e parte dos miolos pulassem, e o rei acabou morrendo após agonizar por alguns dias. E eu fiquei aqui impressionada com os pobres que morreram em nome da ciência...

terça-feira, 21 de abril de 2009

Missing


Há umas duas semanas perdi meu chaveiro. Dei à minha empregada para que ela abrisse a porta de serviço do andar e não vi mais. Disse ela ter me devolvido, mas essa lembrança simplesmente não existia na minha mente.

Bem todos na casa foram envolvidos na procura, até minha mãe em seu andador. Relutei em fazer cópia de tantas chaves, e fucei cada canto da casa.

Na última sexta desti e mandei fazer um novo molho pra mim. Mas fiquei com a sensação que bastaria isso para que o desaperecido desse o ar da graça.

E não deu outra. Ontem fui recebida pela minha filha com o sumido na mão.
- Mãe, olha o que eu achei! Estava na caixa do meu jogo de amarelinha.

Não preciso nem dizer quem botou lá, né? Uma certa pequena que anda com o costume de guardar tudo em qualquer lugar.

- Puxa, M., bem que você podia ter brincado de amarelinha antes...

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Haja paciência


Olha, o dia de intem foi mesmo movimentado. Começou com incêndio na garagem e continuou com passagem pela emergência ortopédica. Mea culpa, prendi a mão da neném na porta. Ai, que dor... Nela e em mim, que fiquei sem coragem de olhar, apelei para o pai. Ele rapidamente colocou gelo, movimentou os dedinhos e saiu com ela para distraí-la. Fomos todos para o hospital, mas felizmente não houve fratura.

Seguimos então para um chá de lingerie, e no caminho passamos por uma lanchonete que tem uns salgados deliciosos. Minha filha mais velha começou a reclamar:
- Tô com fome...
- A gente vai pra uma festa, na volta passa aqui.
Mas a festa se revelou um verdadeiro programa de índio para as crianças, que ficaram no play com o pai enquanto eu assistia a apresentação de dança do ventre e técnicas de sedução em meio a calcinhas comestíveis, algemas cor-de-rosa, creminhos de todos os tipos e outras cositas.
- Mãe, tô com fome, quero uma coxinha gigante!
- A gente já vai...
- Mas eu quero uma coxinha do meu tamanho!

Isso durou o tempo que permanecemos por lá, consegui fugir depois que o bolo foi servido. Meu marido, com dor de cabeça após tantos "eventos graves" em menos de 24 horas, não queria desviar.
- Que coxinha que nada, faço um miojo pra você em casa.
- Ah, não, pai, quero coxinha.
Diante de tanta insistência da garota que acha que comer é tempo perdido, ele se convenceu. Deu a volta, e comprei oito coxinhas e dois croquetes.
- Hum... Tô sentindo cheiro de coxinha.
- Claro que está, mamãe não foi comprar pra você?
- É que gostar mesmo, eu gosto de bolinha de queijo. Mas se você só trouxe coxinha, tudo bem, eu como...

domingo, 19 de abril de 2009

19 de abril


Mas agora ele só tem o dia 19 de abril...

Dia do índio. Com todo o meu respeito a cultura indígena, não pude deixar de me espantar com matéria da Folha Online que transcrevo em parte a seguir. Trata do julgamento do senhor administrador da Funai em Manaus, que apoia índios ianomâmis que tentam retirar do hospital uma criança de 1 ano e 6 meses com hidrocefalia, pneumonia e tuberculose.

Em nota à imprensa, o administrador da Funai em Manaus, Edgar Fernandes Rodrigues, afirma que em uma maloca ianomâmi as atividades domésticas competem à mulher e que, se ela gerar um filho deficiente, é permitido o infanticídio.
"Gerar um filho defeituoso, que não terá serventia [...], é um grave 'pecado', pois este não poderá cumprir o 'seu destino ancestral", diz a nota.
Rodrigues afirma que a"Funai respeita e acata a decisão da mãe da criança ianomâmi de interromper o tratamento médico de sua filha e levá-la para maloca. Perderemos uma vida, sim, mas temos a certeza de que outra será gerada."

Como assim, perderemos uma vida e tudo bem? Tudo bem se permitir o infanticídio? Senhor Edgar, se a menina fosse sua filha, o senhor concordaria com essa sandice?

Felizmente a Vara da Infância e da Adolescência de Manaus decidiu por manter a menina internada. Uma decisão pela vida.