segunda-feira, 23 de março de 2009

Chouriço...


Essa é homenagem a uma querida amiga há mais de 25 anos.

Fiz internato rural, experiência extremamente importante para minha formação profissional e sobretudo pessoal. Lidar com gente do interior é gratificante em todos os sentidos. Pude vivenciar o sentimento de felicidade de pessoas que se sentiam assistidas pela primeira vez. E seu modo de agradecer é presentear... Ganhei deste litro de leite a dúzia de laranja, bolo caseiro, aipim plantado e colhido por eles. E para completar a lista, uma senhora muito contente ao perder uns tantos quilos me ofereceu... Um chouriço!

Eu já sabia o que era, mas nunca tinha visto ao vivo e a cores. Aquilo passou de mão em mão entre meus colegas, equipe multiprofissional de internos da saúde. E acabou esquecido em cima da mesa da cozinha... Óbvio que foi desastre total, sangue de porco passando a noite fora do gelo. Não preciso dizer que ficou podre de dar dó e foi direto pra lixeira.

De volta ao meu aconchego, contei o ocorrido a uma amiga, que me corrigiu:
- Mas chouriço não é sangue de porco numa tripa, é uma frutinha!
- Tá doida? Da onde você tirou essa ideia?
- Ué, tinha uma frutinha vermelha que eu não conhecia na minha avó, perguntei: "o que é isso?" e ela respondeu: "chouriço..."

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sexta-feira, 20 de março de 2009

Um pouco de cada


A menina entra com um pedacinho de plástico na mão:
- Mãe, estava arrumando o quarto e olha o que eu achei: é um pouco vidro e um pouco plástico.
Fico olhando para ela, esperando a conclusão do pensamento.
- Tá vendo? Assim não dá pro vidro cortar muito, porque o plástico não deixa!
P.S.: fui pesquisar no Google imagens para "caco" para adicionar ao post, e dei de cara com o personagem fofo. Me bateu uma nostalgia e ele acabou dando uma de "penetra" por aqui...

Frescurinha

Esse final de semana vai ser uma prova de fogo para minhas unhas: tive que pintá-las hoje para a festa da minha filha na segunda. O problema é que o esmalte não dura nada em mim... Conclusão: até lá, nada de lavar louça, só usaremos descartáveis. E comprei alguns pares de luvas para quando o encontro com a água for inevitável, como em banhos.

O jantar já funcionou, potinho para a pequena, macarrão em pratos e talheres plásticos para os demais.

Ah, são só dois diazinhos....

Como um rio


Acredito em destino. E que temos a liberdade de escolha para modificá-lo.

É como se existisse um roteiro escrito a lápis para cada um na mão esquerda e uma grande borracha na direita. A cada nova experiência temos a possibilidade de assimilar o que mais nos toca, apagando passagens desnecessárias, acrescentando outras, invertendo a ordem programada.

O conjunto de nossos pensamentos, atitudes e pequenos gestos nos torna merecedores de enfrentar situações próprias. Por isso o roteiro é uma obra aberta, uma novela. Ninguém pode prever com certeza como será a reação de uma alma única. Esta pode ser diversa dependendo do momento, do humor, da lua... E assim, as consequências são igualmente alteradas.

Gosto de pensar que cada dia é uma possibilidade. Mesmo que eles pareçam se seguir como uma infinita repetição tediosa, há detalhes que os tornam únicos e especiais.

A cada dia único e especial agradeço pelo que sou, anseio pelo que sei que ainda posso ser. E continuo a trabalhar por mim. Às vezes animada ou triste, cansada ou cheia de gás, irritada ou plácida como um lago sereno. Volúvel e constante, plena de certeza e contradição, pressa e paciência. Um pouco de cada coisa. E nunca a mesma.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Life goes on

Estou me recuperando do episódio bateria. É, na vida tudo passa.

Sei que sou humana, cheia de falhas. E me permito a cometer algumas, como mãe. Mas outras são inconcebíveis.

Quando minha filha mais velha tinha pouco menos de dois anos, vivenciamos uma situação limite, de risco, e falhei. Tive um comportamento, puro reflexo, do qual me arrependo e envergonho profundamente até hoje. Algo que me incomoda a ponto de não conseguir compartilhar. Foi imperceptível para quem presenciou, mas para mim, não tem perdão.

Enfim, a história se repetiu com a caçula. Tinha me prometido mais atenção a situações como essa, e mais uma vez não dei o devido valor aos sinais.

Uma mãe não pode achar que não vai acontecer nada. Tem que ter certeza. E agir.

Não há como se medir o amor por um filho. E o cuidado tem que ser nessa medida, ou seja, amor que não se mede, cuidado que não se mede.

Isso me fez pensar sobre preferências. Quando estava grávida pela segunda vez me perguntava constantemente se amaria as duas crianças igualmente. O tempo passado com a mais velha, o carinho construído, a história vivida me diziam que seria difícil. Mas não foi. Não sei se um dia me identificarei mais com uma que com outra, mas o espaço no meu peito é igual. Isso em situação normal de atmosfera e pressão. Pois se o calo de uma aperta, é por essa que o coração bate mais forte...

São José


Hoje é dia de São José.

Me orgulho de ter estudado em um colégio marista que leva seu nome.

Ali entre suas belas e clássicas paredes ratifiquei conceitos que eram apenas sementinhas brotando para a formação do que sou hoje.

Conheci pessoas que se tornaram referência de amizade.

Tive acesso a uma boa educação, cultivei o gosto pela leitura.

Amadureci o respeito por quem já viveu mais que eu, ou tanto quanto, ou menos, também.

Ouvi pela primeira vez a palavra "fraternidade", e pensei sobre ela.

Ali vislumbrei o meu futuro... E aprendi que poderia ser como eu o desenhasse.

Dali parti carregando enorme nostalgia.

Hoje é dia de São José.

Salve!

Rastro


Bebês são mesmo coisinhas engraçadas. A mania da pequena agora é carregar algum objeto pela casa, até achar outro mais interessante.

Começou com a camisa do pai, tentou enfiar a manga pela cabeça, se entalou. Salvei a criança, ela largou a camisa, pegou o chinelo da avó. Este ficou no quarto dela, saiu de lá com a saia da irmã. Nova parada na sala, solta saia, agarra merendeira e coloca à tiracolo. Passa novamente pelo quarto da avó e toma-lhe o celular, passeando agora com este ao ouvido: "Aô? Glhertliwik?"

No caminho ela pegou um porta-retrato com a foto da irmã. Conversou, beijou, amassou. Olhei para a cena, e pensei: "está destruindo a foto..." Olhei, pensei, e deixei. Sabe quando você está tão cansada que deixa de tomar determinadas atitudes que poderiam evitar pequenos danos? Pois é, essa sou eu, no momento.

Acho que vou ter que colocar a foto dentro de um livro pesado.

Ela acaba de chegar aqui com um envelope de papel pardo vazio. Lá vou eu catar o celular, a merendeira e o que mais tiver deixado no rastro...