domingo, 16 de novembro de 2008

Pequenas preocupações, grandes medos

Chegamos em casa hoje de um passeio no Shopping e estavam na portaria alugumas amiguinhas da minha filha e a mãe de uma delas, todas comendo pipoca. A pequena quis ficar por lá, e como estava também um adulto, vizinha de porta, deixei.
Dali a uns dez minutos, toca a campainha:
- Ela quis subir...
Entra minha filha com uma carinha ressabiada.
- Que foi, amor?
- Nada...

Foi trocar de roupa enquanto a menor comia uma perinha e volta em seguida, olhos arregalados.
- Mãe, é que... Eu lembrei que subi porque queria te perguntar uma coisa... É que a H. e a J. falaram que a Terra vai afundar, é verdade?
- Não, amor, não é...
E lhe dei um abraço para afugentar essa preocupação de sua cabecinha.

Lembrei de quando era pequena e minha prima me assustava dizendo que ia arrancar minhas amídalas com o facão da cozinha; tinha medo do mundo acabar e me afligia a sensação do nada que seguiria o fim do mundo; e o pior de todos - pensava em pessoas mortas, em seus caixões, sozinhas no cemitério... Pensamentos funestos para uma criança pequena, sempre tão preocupada com tudo...

Mas felizmente minha filha é bem diferente de mim; bastaram minha negativa e um afago para que ela esquecesse o assunto...

Lambrecada

Sou meio chata com essa coisa de sujeirada na hora da comida. Mas hoje por algum motivo resolvi relaxar... Está um calor danado no Rio de Janeiro, e a neném almoçou só de fralda; deixei ela fazer o que quis com o macarrãozinho com caldo de feijão... No final tinha na cabeça, testa, nariz, barriga, pernas, fora o que ela lambrecou com a água na bandeja da cadeirinha.

Mas o melhor mesmo é que, no fim, ela estava feliz da vida e com pelo menos 90% da refeição no bucho!

Vontade de reclamar

Já falei que trabalhei muito tempo numa emegência. Todo dia após o desjejum fazia o pedido da colação, aquele suquinho antes do almoço, de acordo com a quantidade de pacientes presentes pela manhã.

Quando a copeira chegava com os sucos tinha o hábito de conferir se tudo estava de acordo com minha solicitação. Certo dia mandaram uns vinte a mais, então devolvi o que não constava no meu pedido. Se fossem sobras não poderia fazer isso, uma vez que a fatura era produzida em cima do quantitativo de refeições solicitadas; era feito então o pagamento pelo Ministério da Saúde, que era o cliente, à empresa terceirizada para a qual trabalhava.

Pouco após a refeição estava em minha sala quando toca o telefone. Era a chefe, do Ministério:
- Você não sabe que não pode devolver nada?
- Ahn?
- Estive no PS e vi sua copeira voltando para a cozinha com uma bandeja de copos de suco!
- Mas não eram sobras, me mandaram uma quantidade maior que a solicitada.
- Ah... E você não sabe que está em um ambiente insalubre, porque sua janela está fechada?

A sala tinha uma janela de duas bandas, e eu costumava abrir apenas uma; do ângulo que ela deve ter olhado, provavelmente só dava para ver o lado fechado.
- Mas um dos lados está aberto!
- Humpf!
E sem mais nada para reclamar no momento, desligou meio irritada.

Hoje sou do Ministério da Saúde e trabalho com funcionários terceirizados, algumas vezes me vejo em situações de chefia ou supervisão; peço a Deus que me dê sabedoria para não incorrer nesse tipo de atitude...


sábado, 15 de novembro de 2008

Santa sinusite

Minha segunda gestação foi um pouco mais complicada que a primeira, tive descolamento de placenta, placenta prévia, vivia com taquicardia e fiquei de licença por algumas vezes. Isso tudo, mais o fato de não ser mais uma mocinha, me davam um medinho da neném nascer prematura.

Fomos passar a véspera de Natal na casa da minha prima, como sempre. Ela mora numa cobertura e tem quatro cachorros. Já estava no sétimo mês, e não sei porquê, pouco depois de chegar à casa dela, comecei com uma crise alérgica forte; aliás, meu marido também. Fiquei quietinha no meu canto, pois não daria para sair tão cedo, mas não via a hora da noite acabar.

Para completar, no dia seguinte, 25, estava de plantão. Logo pela manhã comecei a passar muito mal, a cabeça e o corpo esquisitos, pesados, dor em tudo. Não aguentei e pela primeira vez abandonei um plantão. Meu marido me levou à emergência da Perinatal, e fui diagnosticada com uma sinusite alérgica.

Na sexta já estava melhor, mas achei de bom tom ligar para minha obstetra. Ela quis me ver, até para avaliar a necessidade de antibiótico, e lá fui eu. Aí, durante o toque...
- Ih, estou sentindo a cabeça da neném, está muito cedo para isso...

Fiquei assustada. Ela pediu um exame de urina e uma ultrassonografia, e recomendou repouso. Qual não foi minha surpresa ao ter uma infecção urinária detectada no EAS... Nunca havia tido uma, e não estava com sintoma algum. Fui prontamente medicada e ficou tudo bem.

Mas infecção urinária pode desencadear um parto prematuro... Fiquei pensando que se não fosse a sinusite provocada pelos cachorros, provavelmente ficaria com aquela infecção até sei lá quando, pondo em risco o bom termo da minha gravidez.

É isso aí. Deus escreve mesmo certo por linhas tortas, ou seja, melhor sinusite que bebê antes da hora!

A invasão dos insetos


Moro no segundo andar, e na frente do meu apartamento há duas árvores lindas, que eu adooooro! Em frente ao meu quarto fica a preferida, minha primeira visão de manhã...

Mas nem tudo são flores... Por conta disso temos que conviver com toda sorte de insetos, grandes, pequenos, comuns, esquisitos. Tem um em especial que é nojentinho, não tenho certeza do que é, minha mãe diz que é percevejo. O danado põe uns ovinhos pequeninos, grudadinhos, parecendo um cacho de uvas minúsculo. Eles vão mudando de cor conforme amadurecem, mas nunca tinha visto o nascimento, pois minha mãe é uma autêntica exterminadora desses ovinhos.

Hoje pela manhã fui abrir o janelão da varanda, quando minha filha grita:
- Mãe, não abre!
- Porquê?
- Os bichinhos vão entrar em casa...

Ai, que medo de olhar... Mas não teve jeito; e lá estavam eles, nem sei quantos, do lado de fora do vidro, pretinhos, achatados, umas seis patinhas cada um, alinhados tal e qual um enxame de naves espaciais alienígenas prontas para atacar a terra (essa comparação serve para ilustrar meu pavor).
- Mããããããããããããe!!!!!!

Morar com a mãe tem suas vantagens! Lá veio ela com uma vassoura e um bocado de papel toalha. Protegida pelo cabo comprido que me deixava a uns 2 metros dos invasores (junto com meu braço esticado, é claro), desferi certeiros golpes de vassoura neles, direcionada pela minha mãe. É, me conformei em ficar com essa incumbência porque tenho braços maiores. Mas preferia ter ficado na direção.

Acho que conseguimos botar todos pra fora, e ainda aproveitei para detonar alguns cachos de ovinhos. Agora também vou virar exterminadora, eles que vão soltar seu mau cheiro em outro lugar.

As fotos não são nojentas?

Comendo papel

Não podemos mesmo relaxar com bebês.

Ontem eu estava no computador e a pequena de 9 meses brincava com as coisas da irmã no chão da varanda, perto de mim. Tudo bem que visão não é dos meus melhores sentidos, mas achei que ela estava com um brinquedinho de plástico nas mãos. Ainda bem que mãe tem sexto sentido... De repente fui correndo para ela, que na verdade estava segurando uma caixa de azeite de papelão. Meti o dedo em sua boquinha mas estava vazia; no mesmo instante ela começou a tossir e devolveu um pedaço da caixa do tamanho de um dedo mindinho...


Tá, tudo bem. Vou mandar fazer óculos...

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Um amor de prima

Minha mãe me criou sozinha, pois perdi meu pai aos dois anos. Ela sempre trabalhou, e nunca nos faltou nada, mas a grana sempre foi contada.

Apesar de ser funcionária pública, não tinha moleza, como reza o imginário popular; a chefe era braba e marcava em cima. Ela tinha uma função gratificada, e morria de medo de perder. Mais de uma vez fiquei doente e ela teve de ir trabalhar, me deixando com a empregada, certamente com o coração na mão.

Eu devia estar com uns treze anos e peguei uma virose dessas que jogam a gente na cama, mal-estar, febre. Mais uma vez ela não poderia faltar, mas naquele dia particularmente reparei como estava incomodada, talvez porque eu já era um pouco mais madura, começando a prestar um pouco de atenção ao sentimento dos outros.

Bem, ela saiu, e pouco depois minha prima apareceu de surpresa. Fomos criadas muito próximas, e ela tem oito anos mais que eu. Na época, esses oito anos faziam uma boa diferença. Mais alguns minutos e minha mãe liga pra saber de mim; minha prima atende:
- Oi, tia, a Cacau tá bem.
- Que bom que você está aí!
- Não se preocupa não, vou ficar aqui até você voltar. E fica tranquila, se precisar, eu dou um pouquinho de cicuta pra ela...
- Ah, minha filha, muito obrigada, não sei como agradecer!

Não, minha mãe não queria se livrar de mim. Mas ficou tão aliviada por ter alguém comigo que nem prestou atenção ao tratamento proposto pelo meu amor de prima...