terça-feira, 19 de maio de 2009

Deu mofo


Meu banheiro está com uma infiltração. E o mofo grassa pelo armário do meu quarto, a impressão que tenho é que todos os meus sapatos são verde. Bem, vem chegando o inverno, com ele as afecções respiratórias, etc.,etc.,etc, e agora tudo isso está me incomodando demais. É que acho que sou calma, e passei por uma fase em que tinha que criar uma escala de prioridades de preocupações. A infiltração ganhou sua vez.

E com tudo que eu tinha para resolver, tive que ficar com minha mãe no meu pé todo dia pedindo para eu ligar pra vizinha, ela tinha que fazer alguma coisa, isso ia fazer mal para as crianças, blábláblá, blábláblá... E porque ela mesma não pegava o telefone e ligava?

Enfim, depois de vários contatos, bombeiro pra cá, síndico pra lá, o proprietário do apartamento de cima autorizou o conserto. Sua advogada ligou hoje e marcou a visita do bombeiro para amanhã às 9.

- Algum problema?

- Eu trabalho de manhã, mas minha mãe e a empregada estarão em casa.

Desliguei o telefone e minha mãe logo reclamou:

- Sobrou pra mim...

???

- O que é mesmo que eu tenho que mostrar?

Sem comentários.

A maçã


Bem, bem, bem. Adoro contar meus micos.

Acho que contei em algum post que fiz internato rural, e como a experiência foi enriquecedora. Mas nem tudo é perfeito.

A gente vivia numa comunidade multidisciplinar quase hippie, médicos, enfermeiros, dentistas e eu, nutri, na mais perfeita harmonia. Coisa que infelizmente poucas vezes experimentei profissionalmente.

Enfim, o período de um grupo de dentistas estava se encerrando, e eles resolveram apresentar uma pecinha de teatro em uma das escolas da cidade. Aquela coisa de ensinar cuidados básicos de higiene bucal, prevenção de cáries, whatever. Todos contribuímos com o texto, fantasias, e ia tudo muito bem até que eu fui intimada a atuar. E eu era a miss timidez em pessoa.

- Olha você vai ser a maçã.

- Quê???

- É, a maçã. Você não é nutri? Então, maçã.

E eu estava no momento caprichando no colorido vermelhinho da fruta, desenhada em cartolina que seria colada em isopor. Isso mesmo, mulher sanduíche. Ou melhor, mulher fruta. Acabei de me dar conta que devo ter sido a precursora dessa coisa de mulher salada de fruta, já que isso se passou em, hã-hã, 1990.

Ai, ai, ai, resolvi encarar meus fantasmas e aceitar convite tão sutil, em nome do coleguismo. E também porque um dos dentistas era um gato. Ou melhor, dois... Mas o pior ainda estava por vir.

- Já decorou a música?

- Que música?

- A que você vai cantar...

Gente, não bastava o mico de mulher sanduíche eu ainda teria que cantar. Comecei a achar que alguém estava querendo me sacanear. Tive certeza quando me apresentaram a letra:

"Eu sou a maçã

Vermelhinha e gostosinha

Que me comem todo dia

Para ter mais energia."

Isso no ritmo Teresinha de Jesus. Sentiram?

- Como assim, me comem todo dia???? O negócio é pra criança...

Bem, rolou muita argumentação mas não consegui mudar a letra. Me conformei com meu destino e vamu que vamu.

Dia da apresentação. Palco montado no meio do pátio da escola, apinhado de aluninhos, seus pais e professores. A impressão era de que a cidade toda estava lá.

E lá estávamos nós. A nutri-cenoura, o odonto-escova, o médico-fio dental and so on. Friozinho na barriga, estava chegando a minha vez. Porque só eu ia cantar? Mistério. Nisso alguém me empurra:

- Vai, maçã!

Olhei aquele povo todo, respirei fundo e disparei:

- Eu sou a maçã...

Óbvio. Isso todo mundo estava vendo. Até aí tudo bem.

- Bonitinha e gost...

Nesse ponto a massa do bolo desandou. O gostosinha não saiu nem que a vaca tussisse, mugisse e cantasse o hino nacional em grego. Tive um acesso de riso daqueles sem controle. O pior é que eu ria sozinha, dezenas de olhinhos me fitavam, sérios, sem entender nada. Silêncio total. Tentei começar de novo.

- Eu sou... Kkkkkkkkkk!!!!

Gente, como o palco é solitário... Estava eu lá, artista incompreendida, nem um risinho amarelo da plateia para me apoiar. Só me lembro de ter sido subitamente arrancada de lá, aos costumes.

- Eu avisei que isso não ia dar certo...

Mas acho que deu sim. Pelo menos até hoje eu dou muita risada quando lembro desse mega King Kong...

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Black power


Tenho uma festa anos 70 em junho. Pra variar, além do meu visual, fiquei responsável pelo do meu marido também. Mas pra mulher é tudo mais fácil, uma passada pelo comércio da Tijuca e achei um belo vestido estilo hippie, bem baratinho, em uma loja popular. Cordão, brinco e pulseiras deram o toque final, ficou ótimo com as trancinhas que fiz no cabelo comprido.

E para ele? Pesquisei lojas de aluguel na inernet, mas achei poucas opções e caras. Resolvi dar uma andada pela rua da Alfândega.

Nossa, e andei mesmo.Fui às lojas mais conhecidas e nada. Tentei a Turuna, Silmer, Senhor dos Passos, Buenos Aires... Fui a uma delas convidada pela propaganda de rua:
"Venha para a loja ..., aqui temos todos os tipos de fantasia!"
- Oi, você tem fantasia anos 70?
- Não...
- Ué, a propaganda diz que tem todos os tipos...

Diante da cara de alface da vendedora resolvi me retirar. Aliás, fiz uma constatação: o povo da Saara não gosta de vender. Ô gente mal-educada! Era difícil conseguir alguém que me desse bola.

Já voltava desanimada para casa, uma peruca black power numa sacolinha para não ficar de mão abanando, quando vi umas fantasias no mostruário em uma portinha. Subi as escadas e perguntei à moça vestida de Chapeuzinho Vermelho:
- Você tem fantasia maculina estilo hippie, anos 70?
- Tem sim, olha aí!
Foi inacreditavelmente simpática e me apontou uma arara onde, para meu deleite, achei o que procurava: um conjunto de calça de tergal marrom boca de sino com camisa de gola enorme em marrom, grandes estampas azuis, bem cafona, tudo de bom!
- Nossa, é isso mesmo, tem maior?
- Não sei, não trabalho aqui não.

Bem, estava explicada a simpatia da Chapeuzinho. Quer dizer, nesse momento ela já estava vestida de princesa, Cinderela, acho.

Achei o tamanho G pequeno para ele, mas resolvi arriscar. No caminho pra casa fiquei imaginando meu marido naquela fantasia digna de prêmio.

E para a sorte da minha ansiedade ele estava em casa, e experimentou na mesma hora. Ficou sensacional... Com a peruca e os óculos escuros ele ficou tal e qual o Toni Tornado.
- Ensaia BR 3 aí...

Quando ele entrou no quarto da minha mãe, minha tia levou a mão ao peito e gemeu um "ai" assustado; deve ter achado que era assalto...

Nossa, rolamos de rir... Depois eu conto como foi a festa, tá? Aguardem cenas dos próximos capítulos!

Reavendo minha vida aos poucos


Consegui assistir a dois filmes no sábado, Juno e Jogo de Amor em Las Vegas. Gostei muito de Juno, filminho esquisito e agradável. Diálogos objetivos, nada de dramas, soluções infantilmente maduras. Já o segundo é puro entretenimento, cineminha pipoca. Eu gosto.

E ontem vi novamente Pequena Miss Sunshine, que eu adoro, tudo de mais improvável se junta e parece normal. Como toda família.

Ah, não posso deixar de mencionar o fim da noite: Os Incríveis, papai, mamãe e filhas, pipoca e suco de maracujá, luz apagada e som nas alturas.

Mas o melhor de tudo foi ter tempo pra mim, parar e me vidrar na telinha numa boa, sem interrupções. Puro prazer.

Baby talk


Quase todas as vezes que minha filha mama costumo perguntar:
- Quer conversar?

Geralmente ela já está morrendo de sono e balança a cabeça negativamente. Pergunto mesmo só para ver sua reação e dar algumas risadas, é uma brincadeira nossa.

Outro dia ela estava especialmente rabugenta. Enquanto sugava emitia sons bastante irritados, batia os pés e franzia o cenho.
- O que você tem, K.?
Aí subitamente me veio uma ideia:
- Você quer conversar?

Na mesma hora sua fisionomia se iluminou e ela fez que sim, olhinhos arregalados. Que bom, já estava achando que meu papo devia andar muto chato...

Crianças de um novo tempo


Nasci carnívora. Muito carnívora. Não conseguia imaginar um prato de almoço ou jantar sem uma boa porção de carne, de preferência vermelha e mal passada. Passeios a churrascarias eram meu sonho de consumo.

Mas de uns tempos pra cá isso foi mudando. Passei a ter uma certa preguiça de mastigar, e belos pratos de salada se tornaram uma boa pedida. Não que eu rejeite proteína animal, só aprendi a me virar sem ela. E bem.

Mas o que de fato me causa uma certa surpresa é a quantidade de crianças que rejeitam carne. Minha filha é uma delas, aceita muito pouco, fica bem com macarrão, queijo e leite, muito leite. A menor, até o momento, enrola os pedaços na boca e acaba cuspindo.

Às vezes fico me perguntando se esta não será uma geração mais evoluída espiritualmente, que já nasce livre de alguns vícios. Pode até ser apenas coincidência, mas gosto de acreditar nisso.

Sem resposta


- Mãe, o que é camarão?
Achei engraçado essa pergunta na boca de uma menina de 5 anos.
- É um crustáceo. Gostoso...
- E a gente come?
- Come.
- Porque a gente faz isso com a natureza?
????
- É por isso que os bichos ficam zangados e comem os homens. Porque a gente mata eles pra comer.
Fiquei sem resposta.