sábado, 4 de abril de 2009

A escolha de Sofia


Ontem me deparei com duas situações distintas em que tive que priorizar uma das filhas. Lembrei-me desse filme, obviamente minha experiência enquadrada em uma escala infinitamente menor. Vi ainda criança, não me lembro de detalhes, apenas do pavor que me causou a mãe ter de escolher qual de seus filhos deveria sobreviver durante o holocausto.

Nova angústia me corroeu no episódio da tsunami, pouco depois do natal, há alguns anos. Uma mãe teve que escolher qual dos filhos pequenos soltaria na correnteza, impossibilitada que estava de aguentar os dois; optou por largar o mais velho, achando que este conseguiria se manter a tona, e felizmente todos se salvaram. Não se pode prever com quais sequelas psicológicas... Eu, na época com apenas uma filha, sofri por ela. Pensei que provavelmente não deixaria nenhum dos dois, morreríamos os três, juntos. Mas não se pode julgar e muito menos saber ao certo qual seria a reação de fato em uma situação de tamanha gravidade.

Bem, esse papo todo é muito pesado, vamos aos meus relatos, bem mais levezinhos.

Por volta das nove da noite faltou luz na minha rua e perdemos o sinal da NET. Fui para o computador, filha mais velha assistia a um DVD, a terrível atormentava a avó, presa à cama em seu quarto. De repente a energia é cortada em casa, breu total. Imediatamente as crianças começaram a gritar, cada uma de um canto. Por uma fração de segundo me bateu a dúvida de para onde correr primeiro, mas acabei socorrendo primeiro a menor, provavelmente mais apavorada. Com esta no colo fui buscar a maior, e no fim todas se acalmaram.

Já bem mais tarde, ordem e luz restabelecidas, NET ok, papai em casa apagado no chão da sala. Eu e as duas crianças na cama, uma mamando em meu colo, a outra já adormecida. De repente, cabum!!!!! A maior rola para o chão, com cobertor e tudo, e lá fica, dormindo, nem sinal de ter se incomodado com a queda. E aí, deixar a menina no piso frio, com tosse, ou largar a irmã aos berros pela separação abrupta do peito que a aconchegava? Bem, dessa vez a mais velha venceu. Não sei se foi pra compensar o episódio anterior, mas achei melhor assim.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A escada


Felizmente sou bem resolvida. Minha filha de 1 ano me troca por qualquer pessoa em quem ela vislumbre a possibilidade de ir para a rua. Outro dia chegou ao cúmulo de dar a mão e alcançar o elevador com o corretor de seguros, que veio trazer minha apólice. O escândalo ao ser trazida de volta à casa foi ouvido em todo o prédio.

Mas o pior aconteceu no dia de sua festa. Estávamos todos envolvidos em nos arrumar; a irmã pronta, eu ajudando minha mãe, o pai entrando no banho.

Já estava começando a me vestir quando dei falta da pequena. Percorri os cômodos rapidamente, nada. Ao chegar à sala, terror total: a porta da rua estava aberta! Corri para a escada, apavorada, pois a porta que dá acesso à área de serviço, sempre trancada, também fora esquecida escancarada. Nem sinal dela em cima ou embaixo, voltei com o vestido ainda pelo meio, sutiã de fora.

- A. você esqueceu a porta aberta!!!! A K. sumiu!

Ele, calmamente, pega a toalha da Barbie da filha e se enrola. Vai direto para a escada e encontra a fujona, sã e salva, quase chegando ao andar de cima. No meu desespero de que ela pudesse ter rolado escada abaixo, só reparei no primeiro terço da que sobe, quando ela já estava quase no terceiro.

Ai, sensação de alívio... Descontei o susto com uns bons cascudos no papai cabeça oca... Portas, com essa menina, só bem trancadas!!!

Excessos


Minha filha de 5 anos passou por sua primeira semana de avaliação na escola. Não fiquei encucada, mesmo porque acho que ela ainda é muito novinha. Mas no último dia perguntei via agenda à professora como a menina havia se saído. A resposta foi lacônica e um tanto seca, acostumada que fui com "tias" mais meiguinhas: "M. foi bem. Precisa de mais tempo para realizar suas tarefas."

De fato a pequena se distrai com a maior facilidade, trabalhinhos que poderia concluir em 5 minutos muitas vezes leva mais de hora. Durante esse tempo os lápis, borrachas, o enfeite da mesa ou qualquer poeira de estrela vira personagem de suas histórias.

Sendo assim, esperava notas em torno de 7 ou 8, o que considero muito bom. Mas qual não foi minha surpresa quando recebi as avaliações hoje, num envelope de papel pardo lacrado, com as seguintes notas: língua portuguesa 9,2, matemática 9,4 e ciências, história e geografia 10! Nossa, morri de orgulho da minha pequena! Liguei imediatamente para o pai para contar, e de presente autorizei seu primeiro passeio escolar, semana que vem, ao museu do índio. Estou com medo, mas ela quer conhecer um ônibus por dentro...

Essa tia não é exigente demais??? Chaaaaaaata!!!!

A cor do discordar


A base do diálogo é ouvir e ser ouvido. Nada mais frustrante que tentar trocar ideias com alguém que não está pronto para isso.

Minha natureza é quieta, numa descrição resumida. Gosto de observar, pensar sobre o que escuto e racionalizar antes de emitir conclusões. Tudo bem, acontece amiúde do assunto já ter mudado um par de vezes até que eu processe tudo dessa forma... Mas há a vantagem de que controlo a impulsividade e seguro palavras e impressões precipitadas, que poderiam ser desastrosas.

E mais que tudo: debates perdidos, passo longe, deixo a criatura monologar só. Se percebo que inexiste o desejo de compartilhar, crescer, ouvir, não conte comigo. Mas não entendam com isso que só gosto de conversar com o espelho, não; adoro pensamentos diferentes, versões novas, centelhas de inteligência. Pessoas que se permitem expor razão e emoção e que também se deleitam em debater o desacordo. Não que com isso alguém vá mudar obrigatoriamente o modo de pensar. Apenas deixá-lo muito mais colorido...

Mais um mico musical


Parece que isso não tem fim, de vez em quando lembro de mais algum:

- Foi numa festa cheia de cuba libre... (O gelo passou longe!)

Lentamente a vida se infiltra


Passei por uma fase de cansaço mental, mas estou me recuperando. Acho que depois de uma "tempestade" em que muito foi exigido de mim fisicamente, meus neurônios resolveram tirar férias. Nada de dramático nisso, apenas as coisas estão voltando ao curso habitual, lentamente.

E há uma constatação óbvia nisso: quando deixamos de usar o cérebro por algum tempo, por menor que seja, parece que as ideias desaparecem. E foi o que aconteceu comigo, presa em casa, providências práticas a se tomar, nenhum tempo para exercitar a criatividade.

Depois da semana santa voltarei ao trabalho. E sinto falta disso... Aquela rotina de acordar cedo, encontrar os colegas de sempre, jogar conversa fora durante o café e a cada dia uma tarefa diferente a realizar. Probleminhas, pequenas discussões e divergências, outros pontos de vista, diálogos que enriquecem. E a certeza de voltar para casa, encontrar minha família... Enfim, a vida que eu sempre quis.

É verdade. Sempre desejei casa, vida a dois, filhos, trabalho estável. Tenho tudo isso. Algumas pessoas se sentem perdidas quando alcançam aquilo que tanto almejaram. Acho que minha natureza demasiado prática não me deixa entender esse tipo de coisa, pois estou constantemente querendo algo mais... Nem dá tempo de parar e pensar: "consegui, e daí?", já que novos anseios, somados aos antigos, sustentam a chama da novidade, do inesperado, acesa.

E aí? Sou objetiva demais?

Me engana que eu gosto


Menina com tosse. Resolvo trocar o xarope usual, fitoterápico, por um daqueles alopáticos barra pesada.
- Mãe, não vou tomar de jeito nenhum, só se você me enganar.
- Mas eu não gosto de te enganar. O que você quer que eu faça?
- Bota o remédio novo na caixa do antigo!